terça-feira, 28 de abril de 2009

The Others...

Quero falar-vos de um brutal pensamento. Leiam o texto com paciência e lá para o fim ficarão abismados com tal constatação...

Quero mostrar-vos três fotos...
Foram tiradas no microscópio que uso no meu laboratório. São de minha autoria e representam tecido neuronal. Podem ver neurónios, fibroblastos e células de Schwann. Todas elas pertencem à Universidade de Cambridge e o seu uso indevido e não-autorizado será castigado com brutais espancamentos.







Se repararem, uma delas é verde, a outra é azul e a outra é vermelha.
Parecem diferentes?

Pois ficam a saber que se trata de exactamente o mesmo plano de imagem. Isto é, não mexi em nada no microscópio. As células são exactamente as mesmas em todas as fotos. Exactamente na mesma posição e tudo. O que foi alterado foi o tipo de comprimento de onda (tipo de luz) a incidir sobre as células.

Creio que toda a gente já viu o filme "O Predador" em que um extra-terrestre vem a Terra dar cabo desta cambada toda. Se se recordam, o bicho tem vários tipos de visão. Visão térmica, visão-não-sei-quantos e mais visão-não-sei-mais-o-quê. O que ele via era sempre o mesmo, mas sob diferentes condições de recepção.

A luz visível como sabemos é apenas uma parte do espectro electromagnético.

(Esperem. Ainda não mudem de canal.)



Dentro desse espectro fazem parte os Raios Ultra-violetas, que tanto mal fazem à pele, as ondas de rádio e também, por exemplo, as micro-ondas que magicamente transformam comida fria em comida quente.

É um pouco como dizer que o espectro electromagnético representa o Reino Animal em que unicamente o Homem foi capaz de chegar à Lua. Nós, Humanos, só e apenas conseguimos detectar com os nossos olhos aquela pequena parte (luz visível) do espectro electromagnético.

Agora na luz visível temos basicamente todas as cores possíveis. As cores do arco-íris, sendo que o vermelho possui "menor energia" e o azul "maior energia". É por isso que os ponteiros laser são sempre vermelhos. Porque duram mais visto necessitarem de menos energia.

Então o que dá cor aos objectos é a luz a reflectir neles. Isto é, as folhas de uma árvore são verdes porque absorvem todas as cores do arco-íris, excepto o verde. Um objecto branco é um objecto que reflecte todas as cores da luz visível. Um objecto preto é um objecto que absorve todas as cores da luz visível.

As fotos que viram acima são o resultado disso. É necessário primeiro "corar" as partes da célula. Assim, antes de ir para o microscópio, nós colocamos "tinta" em diversas partes da célula. E sabemos como revelar a cor desta "tinta" tal e qual como nos anos 70 ou 80 se escrevia com aquelas "canetas mágicas" que só revelavam quando expostas a luz ultra-violeta. Tal como acontece quando as pessoas confirmam se uma nota é verdadeira ou falsa, expondo-a sob luz ultra-violeta. Se alguma vez puderem testar, verão que sob luz UV, as notas de euros revelam umas estrelinhas...

Então após aplicar esta tinta nas células, coloco-as sob uma luz específica. Não ultra-violeta, mas sob outro tipo de luz (fluorescente, por exemplo). Assim, a imagem verde detecta a "tinta" fluorescente que apliquei nas células. A imagem azul representa apenas a "tinta azul" que apliquei nos núcleos das células e a imagem vermelha representa apenas a "tinta vermelha" que apliquei apenas nas "ramificações" das células. Estas "tintas" são aplicadas nas células em geral. Não tenho capacidade de aplicar uma tinta numa parte e outra tinta noutra parte. Apenas sei que há partes da célula que "vão segurar" diferentes tipos de tinta. Por exemplo, embora tenha aplicado a "tinta" azul na célula toda, sei que apenas os núcleos "vão conseguir" aguentar essa tinta e não conseguem aguentar a "tinta vermelha".

O pensamento que vos queria transmitir após este paleio todo é que às vezes penso que quando discutimos acerca de vida extra-terrestre, pensamos apenas em homenzinhos verdes ou sítios onde apenas exista a possibilidade de haver água e assim.

Mas agora imaginem que existem seres a viverem mesmo à nossa volta, mas apenas não os conseguimos ver porque, tal como as estrelinhas das notas do euro, têm ser visto sob "condições luminosas especiais". Imaginem que existem seres ou algo que nos rodeia, mas que não pode ser detectado por luz visível ou mesmo, quem sabe, por qualquer outro tipo de radiação electromagnética (UV, ondas de rádio, raios gama, infra-vermelhos, raios X, etc.). Imaginem que estão noutra dimensão, mas sob o mesmo "plano". Imaginem um mundo por descobrir mesmo à nossa volta. É só preciso saber apontar o tipo certo de "foco luminoso"... Tal como quando estamos nas discotecas e existem luzes ultra-violetas e parece que a nossa roupa tá cheia de pó ou coiso assim para o estranho. É engraçado. Aqui em Cambridge vi pela primeira vez uma nova forma de carimbar os braços quando se entra para a discoteca. Normalmente os seguranças carimbam os braços com tinta preta. Há aqui uma discoteca que o faz com uma tinta que só pode ser detectada por luz UV. Quando saimos cá para fora ninguém consegue topar nada. No dia seguinte mesmo que não consigamos lavar bem a marca, ninguém a pode detectar...porque não se revela sob luz visível...

Imaginem agora seres andar à nossa volta, mas a existirem noutro "comprimento de onda"...e mais...imaginem os seres a falar não na nossa frequência, mas noutra...tipo naquela em que os cães conseguem também detectar.... Talvez por isso é que às vezes os cães parecem estar a ladrar sem razão...talvez estejam a escutar uma conversa de alguns seres...

Porquê procurar vida a milhões de Km da Terra, quando podemos estar lado a lado neste momento...

Catano...Brutal pensamento.

Deixo-vos com a junção (graças ao Photoshop) das três imagens que vos mostrei lá em cima.



Agora imaginem que nós, terrestres, somos apenas os pontinhos azuis...

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