quinta-feira, 21 de maio de 2009

Corrupção...



No post sobre o Sócrates, tinha escrito lá pelo meio daquela "tese" os requerimentos e princípios para se ser corrupto. Comecei no entanto a divagar sobre a corrupção (alegada) do Sócrates e do resto da família.

Decidi retirar então toda a informação acerca da corrupção e criar um post só dedicado a ela.

Nos dias que correm hoje, ou melhor, desde sempre que político foi sinónimo de corrupto, mentiroso, ladrão e gatuno. Não digo o contrário. Aliás, concordo 100%.

E deixem-me dizer porque é que concordo. Porque simplesmente "um bom policia, é um policia morto". Apliquem aquele ditado na política e vêem que é o mesmo. Ninguém, no mundo da política, consegue sobreviver sem ter o apoio e o suporte de uma rede de amigos consideravelmente importantes e com peso. E não é a impôr leis e impostos aos poderosos que se fazem amigos. A política é mesmo isso: um jogo onde quem tem mais amigos, ganha! Todo o político precisa do maior número de votos possível para ser um político de sucesso. E está disposto a tudo. A prometer favores ilegais a empresas que o apoiem. Porque sabe que quando ocupar um lugar no poder, vai poder influênciar decisões, decisões essas que tendem a beneficiá-lo ou aos amigos. Vai poder desviar dinheiro para o bolso, porque vai poder decidir quem é que constroi e aonde. Porque vai poder decidir quem é que "sobrevive" e quem é que "desaparece". E isso traz-lhe muito dinheiro... Por isso é que depois, passados uns anos, todos os casos de corrupção estão quase inevitavelmente ligados a políticos. Mas nunca ninguém vai preso.

Então o que é que um político tem que fazer para ganhar o maior número de votos do povo? Eu digo-vos:
1 -Mentir com os dentes todos. Um político que diga que não consegue tapar um buraco fiscal, está lixado porque logo aparecem 50 políticos que vão dizer que conseguem (mesmo que seja impossível). Um político tem que dizer que vai fazer diminuir o desemprego, aumentar os salários, ser amigo do ambiente, aumentar a segurança, melhorar o ensino e a saúde e, se ainda tiver tempo, colocar um sorriso na boca de todos.
2- Ter o maior número de amigos possíveis. E esses amigos têm que ser poderosos e ter interesses. O político não quer ser amigo das velhas que vê e dá beijinho nas feiras populares, nem quer ser amigo do mecânico lá da rua, a menos que esse mecânico seja uma peça fulcral para convencer um grupo de pessoas a votar nele. O verdadeiro político quer é ser amigo daqueles que têm poder, e poder = dinheiro. Logo, os políticos querem aproximar-se dos ricos poderosos, esses que pagam as suas campanhas, esses que são um grupo de peso, para que no futuro, caso o político venha a ganhar as eleições , possam usá-lo para obter mais poder, para obter leis favoráveis ao seu crescimento económico. No caso dos EUA, a coisa ainda é mais preta, porque para fazer uma campanha, são precisos milhões de dólares (a de Obama ficou a mais de 500 milhões, tal como Mccain). E esse dinheiro tem que vir de algum lado. A NRA (associação de armas americana) frequentemente apoia os candidatos republicanos (que apoiam sempre o uso livre de armas de qualquer cidadão). Ao dar dinheiro para a campanha dos repúblicanos, aumentam a hipotese de ter um presidente repúblicano no poder e continuar assim aumentar os seus lucros. O mesmo acontece para o lado dos democratas, mas com outro tipo de empresas/interesses. Por isso é que um candidato presidêncial tem que prometer favores aos lobbys mais poderoso, para poder contar com o seu apoio para entrar na Casa Branca. Quando lá chega, os favores começam a ser cobrados, e por isso é que as coisas não andam para a frente.
Dou-vos também outro caso de amizades. É o caso da Oprah e de Obama. Há um estudo científico que indica que o apoio de Oprah ao candidato Obama veio a trazer-lhe mais de um milhão de votos.

3- Ser corrupto.

Quem respeitar estas três Leis, só precisa de carisma e presença para ter sucesso na carreira política. E carisma e presença já se cria com o photoshop, maquilhagem, telepontos e linguagem gestual/corporal previamente estudada.

Vamos ver o exemplo do nosso caro amigo Santana Lopes. Este dito Doutor respeita e sempre respeitará a primeira lei: mentir. Desde mentir sobre o número real do défice do país, até ao mentir sobre tudo aquilo que prometeu aos portugueses acerca do desemprego, crescimento económico ("desapertem o cinto", dizia ele) e outros assuntos variados.
Respeitou a segunda lei (mas com insucesso) ao colocar um cartaz de propaganda nas ruas em que mostrava ele no centro com figuras de peso do PSD ao seu lado, como Francisco Sá Carneiro, Cavaco Silva e Pinto Balsemão. O Cavaco Silva (já a piscar o olho à Presidência da República) prontamente veio a exigir que fosse retirado o nome/figura dele do cartaz, não mostrando apoio/confiança na candidatura de Santana ao Governo em 2005. Santana bem tentou respeitar a segunda lei, mas é necessário ter amigos que possam tirar proveito egoísta da eleição do candidato político. Se o candidato não valer nada e não tiver a mínima hipótese de ganhar, então mas vale ficar quieto e não arrastar o nome para a lama juntamente com o candidato e ficar assim queimado para o futuro. Santana respeitou a terceira lei enquanto esteve no poder. O ser corrupto diz respeito a que quando um político está no poder, é do seu interesse fechar os olhos a negócios menos legais, ou a criar leis/aprovar projectos que beneficiem grandes empresas, para que caso for necessário tirar umas "férias da política", ir até uma dessas empresas que ajudou enquanto esteve no poder, e ocupar um cargo de director, mesmo sem tendo qualquer competência para o cargo. Por isso é que vemos as mesmas caras a rodar de posto. Uns estão encarregues de comissões, outros são directores de empresas públicas ou privadas, ganhando balúrdios por ano. Parece aquele jogo das cadeiras, em que um número de pessoas tem que andar à volta das cadeiras até a música parar e tentar sentar-se numa cadeira, ficando obrigatoriamente uma pessoa de fora. A diferença é que o número de cadeiras é igual ao número de pessoas e as pessoas são sempre as mesmas. Não há hipotese para inovação ou mudança de pessoas.

Lembram-se do Santana Lopes na Camara Municipal de Lisboa, antes de ir para o Governo (quando Durão Barroso fugiu para a "Europa")? Pois bem, Santana Lopes parece não morrer. Após ter estado na CM de Lisboa onde deixou um buraco fiscal maior que o buraco do Ozono (em que é agora que o pobre António Costa tenta tapar com tudo o que tem à mão) foi para o Governo. No Governo foi "despedido" pelo Presidente da República e tentou concorrer novamente para o posto de onde foi demitido por incompetência.
Corajoso.
Burro, mas corajoso.

Queimou-se e perdeu as eleições. Retirou-se da cena política, juntamente com o seu compincha, o Paulo Portas, mas passado ano e meio voltou à carga e ocupou o cargo onde era a voz do PSD no parlamento. Mas quando viu uma janela para se candidatar à presidência da Camara de Lisboa, retira-se do parlamento. Vejam lá que no passado foge da Camara de Lisboa deixando um buraco fiscal enorme e agora, "porque Lisboa precisa de um líder", volta a candidatar-se. Muito bom. O giro é que por Portugal, um gatuno camelo como ele pode ganhar. Uma cabra como a Fátima Felgueiras que foge para o Brasil e que tem como justificação: "porque sou inocente", não merece mais do que um belo conjunto de pedras atiradas ao focinho. No entanto, o contrário acontece quando volta no momento das eleições e é recebida com aplausos do povo (povo esse ignorante e estupido a quem a sua heroína roubou sem remorsos) que acaba por a eleger novamente. As Leis que regem essa mentalidade nos portugueses ainda me é desconhecida. Mas estou a trabalhar no assunto para as desvendar...



E Sócrates bem pode ser corrupto, como todos os políticos o são.

Mas agora questiono o seguinte: quem não é corrupto naquele mundo? Quem é que de nós não iria ajudar um familiar nosso arranjar um emprego na função pública? A tentar fazer um negócio da china porque se encontra em situação privilegiada? A tentar esconder dados do público para manter o seu status político e manter assim o poder. Porque no fundo o que todos andamos atrás é do poder. É isso que nos move. E a corrupção é o caminho fácil a percorrer.
Todos nós tentamos dobrar e contornar a lei sempre que podemos. Desde as reformas devido a invalidez até ao simples facto de trazer resmas de papel de impressora do escritório para casa. Toda a gente sabe qual é o caminho CORRECTO a percorrer. O problema é que o caminho CORRECTO é o mais difícil de percorrer. Por isso é que o nosso povo parece ter um gene que nos aconselha a percorrer o caminho mais fácil que por sua vez não é o mais correcto.

No fundo, o poder alicia-nos e seduz-nos. Com o poder temos acesso ao que o comum dos mortais não tem... e isso dá-nos exclusividade...

...somos assim Deuses no meio de mortais...


1 Comentarios:

JB disse...

...é pá!...deve ser da idade ou caraças...tu não paras??? anda para ai umas BrainStorms maradas... e eu vicio-me nestes textos...porraaa!!! tenho que me ir deitar!!!