quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ser crítico é ser....inútil



O que é preciso para se ser um crítico?

É que se há coisa que odeio é de ver manadas de gente a curvarem-se perante a palavra (dogmática) dos críticos. Sejam eles críticos de cinema, literatura, culinária ou apenas de fezes bovinas. Devo admitir que por vezes sigo o que é aclamado positivamente pela crítica. O post anterior é exemplo disso. Mas nesse caso concreto, a crítica é avassaladora.

Mas eu falo é dos críticos de cinema, porque é uma área onde jogo bastante bem. Gosto de opinar sobre os filmes e até gosto de dar uma classificação embora me seja extremamente difícil avaliar um filme, especialmente quando o faço aqui no blog. Porque sei que há pessoas que não vão gostar e outras que vão adorar. Sei isto, porque conheço algumas (de entre as milhares) pessoas que lêem o blog. Mas mesmo quando me perguntam o que eu acho de determinado filme, sinto-me mal por tentar avaliar um filme, porque sei que vou estar a criar expectativas (altas ou baixas, mediante o caso) na mente da pessoa que nunca viu tal filme.

Assim, fico bastante f*dido quando vejo os críticos no Público ou noutro sítio nojento qualquer atribuirem estrelinhas aos filmes. Com base em quê? Quais são os critérios? Não será a área mais subjectiva para se avaliar algo?

Mas devo confessar que sempre me meteu confusão e frustração neste "senso comum" do que é bom de se ver, ler, ou apreciar e no que se é mau. Falo por exemplo de obras literárias, não de prosa, mas poética.

Lembro-me de andar no Secundário e andar a ler poemas de Fernando Pessoa e dos seus inúmeros amigos imaginários, entenda-se pseudônimos, tipo Alberto Caeiro e assim. Sempre me foi incutido que tal poema "deve ser lido" de tal forma. A interpretação deve ser feita segundo aquela perspectiva. Mas ao mesmo tempo diziam-me que a interpretação (de poemas) era altamente subjectiva.

Catano!

Então dizem-me que tenho a liberdade de interpretar as palavras escritas da maneira como quero, mas quando vou a expôr a minha interpretação, sou de imediato chamado atenção que não está correcta e que devo seguir o caminho que os "manuais" escritos pelos devidos "especialistas" expôem.
É como quando li uma vez um especialista literário afirmar que a maneira de escrever de Saramago está "ortograficamente correcta".

Hã?
O quê?

Então se eu escrever num teste com maiúsculas e minúsculas "à maneira do freguês" será que saio impune? Claro que não. Levo com uma nega e chumbo na cadeira. No entanto, o génio de Saramago consegue criar uma maneira de curvar as Leis, não da Fisica, mas da Escrita Portuguesa e sair impune. Está mal.



Admito, como o disse acima, que todos nós gostamos de opinar. Gostamos de dizer aos outros o que achamos e pensamos que temos sempre razão. É natural. E as vezes os críticos gostam de ser do contra. Como é o exemplo do crítico no Público que afirmou que "Slumdog Millionaire" era uma trampa. Fica fino mandarem-se arrotos destes. Faz figura.

Eu pessoalmente sempre demonstrei o meu desagrado pela trilogia "O Senhor dos Anéis". Mas tenho pessoas que me comem vivo quando me ouvem a dizer mal dos filmes. Mas para mim, olhar para um balde de vomitado fazia-me mais feliz do que perder 9 horas da minha vida a ver uma cambada de gajos, com nomes estranhos, a viverem em lugares ainda mais estranhos, a lutarem contra um Olho maquiavélico. E entretanto ganha milhares de oscars e a crítica adora e recomenda vivamente.

Creio que a crítica é útil, mas ainda assim não sei o que é preciso mostrar para se tornar num crítico. Ver muitos filmes? Ler muitos livros? Comer bastante? Ver quadros e decidir que uma tela branca é arte (como vi no Museu de Arte Moderna em Paris exposto)? Sempre que leio os críticos da televisão é que fico feliz. Gente que deve passar horas sentada no sofá a ver televisão e depois escreve um texto mediante o sentimento que determinado programa causou em si. Já estou a ver eu um gajo, de gola alta preta, de óculos, recluso no seu canto, na sua sala escura, apenas decorada com quadros altamente não-mainstream, com um bloco de notas e um televisor à sua frente a ver o programa da tarde da TVI e apontar tudo o que sente. No fim é pago para imprimir a sua crítica no jornal.


A "arte" dos salpicos de Pollock

Para mim é sempre algo bicudo quando se entra com autoridade suficiente para proclamar que "aquilo" é bom e "aquilo" é mau. Somos muito subjectivos, entenda-se diferentes, em termos de personalidade para nos assumirmos como uma maré de gente igual.

Temos gostos similares, mas com detalhes sublimes e específicos que fazem toda a diferença...

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