quarta-feira, 27 de maio de 2009

Watchmen



Não sou fã de comic books.
Sempre tive um herói quando era puto e inocente. Era o grande Superman. Ele fazia tudo catano. Disparava raios pelos olhos, voava, era forte e bastavam-lhe um par de óculos para se camuflar no meio da multidão como Clark Kent. Nunca ninguém reparava nele, nem suspeitavam que ele seria o Superman. Nem mesmo naqueles dias de calor de Verão, em que o pobre Kent tinha que usar um fato em cima do seu uniforme, capa e botas (sim, ele usava botas debaixo dos sapatos italianos).

No entanto, há uns tempos atrás, ouvi um murmurinho que foi aumentando com o passar do tempo para um barulho quase ensurdecedor. Tratava-se da adaptação cinematográfica do novel comic book - Watchmen.

Para quem não está dentro deste assunto, como eu, não sabe do que é que se trata.
Pois bem. Não desesperem que eu escrevo isto para vos iluminar.

Watchmen é um livro de banda desenhada e de acordo com a revista Times, entra na lista 100 dos melhores livros alguma vez escritos. Foi este um dos pontos que me chamou atenção. Creio que dessa lista, Watchmen é a única banda desenhada a lá entrar...
Para resumir, as críticas são enormes e positivas, declarando esta obra literária como um marco histórico e revolucionário no mundo da escrita dos comics.
Os criadores da aclamada série LOST, J.J. Abrams e Damon Lindelof, sempre "assumiram o quanto devem a esta obra-prima da literatura e da arte contemporânea, a enorme influência que tem no seu trabalho". Não espanta por isso que me tenha suscitado algum interesse ler o raio do livro.

Eu, ignorante como sou, não tinha grande conhecimento, embora tivesse ouvido falar há uns anos atrás. Devo confessar que as únicas bandas desenhadas que leio e que irei morrer a ler são os chamados "patinhas". Quando era miúdo, consumia esses livrinhos com o Tio Patinhas, o Peninha, o Donald e Co. como se não houvesse amanhã. Ainda me lembro das versões (as melhores) em brasileiro. O tipo de papel, a cor, o detalhe... Tudo muito nostálgico...

A coisa dos comic books, dos heróis, é que no fim do dia é uma confusão do catano. Uns trepam paredes e têm como inimigo aquele gajo, o outro voa (como os outros 50 heróis) e tem como inimigo um outro gajo, depois ainda há outro que anda só de noite vestido de morcego a tentar capturar vilões tipo pinguins ou jokers. E depois todos ganham poderes através do contacto com materiais altamente radioactivos. É curioso nunca ninguém apanhar brutal cancro mas sim poderes tipo voar e mandar raios pelos olhos. É muita fantasia para mim.
Prefiro ver patos a falarem uns com os outros...

Lá comprei o livro. Demorei alguns dias para o ler, porque não me agarrou. Fui lendo com calma.
O fim está interessante. Um twist porreiro. Ficamos a pensar na história durante algum tempo após o termos pousado porque a nível de história está muito bom. Tem um enredo que muitos filmes oscarizados não têm. Fala sobre a relação humana e a compreensão do que é o poder e o que é prioritário na vida. Tem fantasia, mas contida. Entrar no universo de WATCHMEN é conhecer heróis falíveis, em final de carreira, barrigudos, marginais, perseguidos, ilegais. Não aos lotes. Não há nada gratuito na novela. Tudo tem uma razão, até mesmo o silêncio que as imagens transmitem. Deixa-nos a pensar num "Se..." bastante inquietante.
Marco histórico no mundo da banda-desenhada? Não sei, mas também quem sou eu para estar aqui a classificar coisas de mundos a que não pertenço...

Falemos agora na parte cinematográfica.
Um dos autores, Alan Moore, é o responsável por duas obras já transformadas em filmes. São elas:

V from Vendetta
League of Extraordinary Gentlemen

Ainda gostei e recomendo o V for Vendetta, mas o outro não presta.
No entanto, é curioso ver que Alan Moore nunca quis ter nada a ver com a adaptação cinematográfica das suas obras. Na perspectiva dele, as histórias escritas em formato banda-desenhada não podem ser adaptadas/traduzidas para o meio cinematográfico, especialmente porque não se dá valor aos microscópicos detalhes significativos mas imperceptíveis que se perdem em prol dos grandes efeitos especiais que os estúdios de Hollywood vêem como a porta para os grandes lucros.




Este é Alan Moore

Então, Moore recusou-se a participar na elaboração da que foi aclamada a mais difícil adaptação ao cinema. Ainda hoje recusa-se a ver o filme. Como FHF a chama: "O Santo Graal das Adaptações de Comics".

Ainda não vi o filme. Mas dizem-me que é fiel à obra literária. Deste modo, recomendo a todos. Lembrem-se que esta amiga aparece lá. E só isso vale a pena...


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