sábado, 29 de agosto de 2009

Até já...



Como me tornei exímio na arte de vos meter nojo, não posso deixar passar mais uma oportunidade.
Não, não é mais uma viagem de avião por 1 € ou nenhum concerto fantástico. É sim uma semana no Four Seasons Country Club.

O Four Seasons Country Club é um resort de 5 estrelas que se localiza na privilegiada Quinta do Lago no Algarve. Pois é. Campos de golf, piscinas, praias privadas e muito relaxamento são os planos para os próximos 7 dias.

E tudo isto a que custo? A módica quantia de 0 €. Sim, ZERO EUROS. É uma pechincha, até mesmo para um pilantra como eu.

Para saberem mais sobre este pequeno paraíso, cliquem aqui.

Fiquem bem...que eu vou tentar lembrar-me de vocês todos enquanto mergulho na piscina privada, ou talvez enquanto enfio a bola no buraco 18 enquanto jogo golf com o meu amigo Hugh Grant.

Vemo-nos daqui a uma semana.


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Nanny State



Irrita-me neste país as pessoas pensarem que o Estado é uma espécie de Babysitter dos portugueses. É como se o Estado fosse o "adulto" (Nannystate) e todos nós umas criancinhas que precisamos que o Estado tome conta de nós dizendo o que é proibido, aconselhado e obrigatório.

É o exemplo em que se alguém está no desemprego, dependem do subsídio do desemprego, que vem do Estado, em vez deste as caminhar para uma nova formação que direccione esse indivíduo rapidamente para outro emprego. Irrita-me saber que existem portugueses sem qualquer formação e que não querem qualquer formação porque sabem que tem uma rica vida a passar a tarde em tascos a beber cerveja e a comer tremoços e ao mesmo tempo estarem a receber o subsídio de desemprego e por vezes a fazerem uns biscates pelo meio. E se puderem ainda enganam o Estado para poupar dinheiro ou arrancar ainda mais.

Irrita-me saber que temos reformas por invalidez que parece que metade de Portugal é manco. Irrita-me saber que neste país tudo que acontece de mal é culpa do Estado e que por isso as pessoas devem receber compensações e culpar o Estado por não ter feito o suficiente para evitar desastres e catástrofes.

Este último exemplo de dependência do Estado encontra-se claramente demonstrado naquela derrocada que aconteceu numa praia no Algarve. 5 pessoas morreram porque uma falésia sofreu uma derrocada parcial e agora começam a dizer que o "Estado pode ser responsabilizado".

Cum catano. Onde é que nós estamos?!

Curioso que quando ouvi a notícia, comentei logo com o meu pai que ainda iriam descobrir uma maneira de culpar o Estado. Porque se merda acontece, é porque o Estado não fez o suficiente para nos proteger da NOSSA própria estupidez. E isto reflecte-se em não termos tido um Estado capaz de dar 5 bofetadas nos anormais que decidiram meter as toalhas em baixo de uma falésia.

Mas não! O Estado ainda lá colocou uma PLACA avisar as pessoas. Mas "não era suficientemente clara". Devia ter umas luzinhas avisar ou melhor ainda um oficial da Guarda Costeira que estivesse ali a dar chapadas a quem se aproximasse da falésia.

Contra a estupidez humana não há Lei que possa fazer nada.

Posso dar o exemplo de um motociclista e a sua mota:
- O Homem cria a moto e vê que podemos atingir velocidades fatais com ela;
- O Estado IMPÕE limites de velocidade para nos protegermos contra NÓS PRÓPRIOS;
- O Estado PROÍBE o consumo de álcool se formos conduzir ou guiar uma moto;
- O Estado OBRIGA o uso de capacete para protegermos o minúsculo cérebro que temos;

...e ainda assim existem anormais que andam a altas velocidades alcoolizados e sem capacete que depois despistam-se e ficam inválidos a viver às custas de subsídios de ajuda do Estado.

É isto que me irrita. É esta disposição em culpar o Estado em tudo que ocorre de mal no País. Sejam crescidos catano! Tenham cabeça para pensar e aceitem as responsabilidades dos vossos actos estúpidos.

Quanto ao caso da falésia, eu por mim culpava Isaac Newton. Foi ele que descobriu a Gravidade e é por isso que as coisas caiem...



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29 - Agosto - 1958



Se fosse vivo fazia hoje 51 anos de idade e fazia 40 anos de carreira. É um número impressionante digno de um Rei da Pop e melhor Artista do Milénio.

O mundo viu desaparecer a magia dos seus pés no dia 25 de Junho no que foi confirmado hoje como homicídio. O Dr. Conrad Murray é o principal suspeito numa investigação que vai fornecer aos tablóides muita tinta e pouca verdade. Relembro que o conceito de homicídio nos EUA engloba também negligência médica e não significa estritamente assassínio. Porque já há muita gente a especular que tenha sido uma morte propositada no sentido de haver intenção de o matar. Há que resfriar os ânimos e deixar a Justiça tomar o seu caminho. Eu gostava de dar um pontapé no rabo do possível arguido por me ter roubado a honra de ver Michael Jackson actuar ao vivo em apenas 20 dias após a sua morte. Podia ter esperado o malandro.



Ficam os registos para a História do homem mais famoso do planeta e aquele a quem Fred Astaire chamou o "melhor dançarino do mundo".

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Um passo de cada vez...



Em Portugal não existem grandes cursos que dêem algumas saídas profissionais. Hoje em dia o único que quase garante emprego imediato é Medicina. O resto dos cursos apenas oferece um pequeno número de empregos que pode ficar dependente da qualidade do indivíduo ou da qualidade da "cunha" do indivíduo.

Eu estudo Biologia tendo um curso pela Universidade de Aveiro. E durante todos os anos as pessoas perguntavam sempre:

"Então e isso dá para quê? Para professor? Ou para o McDonalds?"

A verdade é que me irritava ter que responder sempre que o meu curso é virado somente para a Investigação. E sim, há desemprego nesta área, forçando as pessoas formadas em Biologia a desempenhar um emprego que não tem nada a ver. A verdade é que as pessoas, e tenho que compreender a sua ignorância, nunca sabiam bem o que era Investigação em Biologia. Sempre tentei demonstrar que os Biólogos são os soldados da Infantaria na Ciência. A nossa formação abrange quase todos os cantos da Ciência começando em Zoologia, passando pela Botânica, Bioquímica, Bio-Informática até acabando na Genética. Mas mesmo assim as pessoas não viam grande potencial financeiro para apostar nessa vida. Estudar moscas e fungos era ser rato de laboratório.

A verdade é que na minha brevíssima e curta experiência como aluno e profissional já tive oportunidade de trabalhar em Genética, trabalhar com fungos (Candida), trabalhar em Cancro (em Itália) e finalmente em Neurociências (em Cambridge).

Até agora nunca tinha visto a minha pesquisa e trabalho a darem algo mais "palpável" do que um simples artigo (não da minha autoria) numa revista científica. Estas pesquisas são sempre vagas, onde se trabalha apenas um aspecto particular de uma área imensa. Imaginem tentarem estudar um livro, mas sem saberem ler ou sem saberem o significado das frases ou das letras. Teriam que começar por estudar uma letra de cada vez e depois juntá-las e formar frases, etc. Até conseguirem ler a primeira página. Mas os primeiros passos iram parecer vagos, sem sentirem aquela sensação de conseguirem alguma coisa de "palpável", de real.

E esse era o sentimento que tinha nestas pesquisas. Muito estudo e trabalho para depois só alguns na área conseguirem compreender os resultados. Não havia ali um alvo específico. A minha vontade era de trabalhar para algo que daria frutos visíveis e que pudesse ajudar o Homem de uma forma mais directa e rápida. Podem dizer que sou uma pessoa impaciente...

E foi o que aconteceu enquanto estive na Universidade de Cambridge durante 9 meses. O estudo era acerca da Regeneração da Espinal Medula em Mamíferos. Eu pensei logo: "Era mesmo isto que eu estava à procura". E embora o processo seja bastante vago e complexo, a verdade é que no fim (ideal e utópico) eu e todos os outros iríamos conseguir ver os resultados. Estes resultados iriam traduzir-se em ver alguém a recuperar a mobilidade, em ver alguém a caminhar de novo, a levantar-se da cama, etc.



Pois bem. É com bastante orgulho que vejo um pelinho minúsculo de um fruto que a nossa pesquisa colheu recentemente.

O Professor James Fawcett, que foi um dos meus orientadores (juntamente com o Prof. Roger Keynes) consegue agora publicar na revista Nature (a mais conceituada revista científica no mundo) um artigo que envolve 0,001% do meu trabalho desenvolvido nestes 9 meses.

Um grupo de investigadores chefiado pelo professor James Fawcett, do Departamento de Neurociência da Universidade de Cambridge (Reino Unido), encontrou forma de os roedores com uma lesão grave na espinha recuperarem parcialmente a sua capacidade de movimentos.

Fawcett e a sua equipa associaram um exercício específico da perna dianteira de roedores com a injecção de uma enzima chamada condroitina, obtendo como resultado um crescimento notável das fibras nervosas dos animais.

-in Diário Digital

Esta é a enzima com que eu trabalhava - Condroitina. O problema desta enzima é que ela provém de uma bactéria e o nosso trabalho tem sido modificá-la bioquimicamente para se adaptar a sistemas em mamíferos. E tem um enorme potencial, embora seja de opinião geral que a "cura" para lesões na medula espinal seja o resultado de um "cocktail" de diversos tratamentos, não só através do uso exclusivo da Condroitina. E embora ainda estejamos muuuuuuuuito longe, a verdade é que estes são os primeiros frutos visíveis, físicos e "palpáveis" de que falava.


Chondroitinase B

É ver uma aplicação directa na nossa pesquisa que me deixa contente e babado. Embora repita que a minha contribuição tenha sido mínima. Não é em 9 meses que se obtêm estes resultados. Isto já vem de tentativa-erro de muitos investigadores e experiências do passado. Mas, nevertheless, é sempre bom ver o vosso trabalho a contribuir para algo de verdadeira utilidade para a sociedade.

Por isso agora aqueles que me perguntarem para que raio é que serve a pesquisa em Biologia e que raio ando eu a fazer na Universidade de Cambridge (para além de escrever no Blog), terei que responder (arrogantemente) que ando à procura de um dia poder dizer a um paciente tetraplégico as famosas palavras de Jesus Cristo:

"Levanta-te e anda."


Toda a notícia aqui no Diário Digital.



Acerca do Professor James Fawcett apenas posso dizer que ele é daquelas pessoas que prende atenção quando entra numa sala. É alto e tem o dom da palavra. Sempre que dá um seminário ou uma palestra, consegue reter atenção do público. Tem uma voz que se projecta e tem aquela imagem de cientista com poder e laços politicos. Por isso não espanta quando vemos que ocupa o lugar de Chairman do Brain Repair Centre em Cambridge. Devo dizer que no início me sentia pequeno quando falava com ele porque parecia que tinha sempre algo de mais importante para fazer do que estar ali a falar comigo. Mas acabámos por ter algumas conversas porreiras e ajudou-me imenso no trabalho. Um senhor que eu acho que tem pequenas semelhanças com esse outro grande cientista de Oxford - Richard Dawkins.



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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Voluntários? Não, obrigado...



Tenho intenções de fazer um voluntariado.

Por diversas razões:

1 - Fui abençoado com uma vontade imensa de ajudar as criancinhas e os velhinhos;

2 - Fica bonito no CV.

Bom. Visto isto, coloquei-me em acção e fui procurar activamente por um voluntariado. A primeira Instituição que decido recorrer é o Hospital de Aveiro.

Foi quando eu vi que em Portugal faz-se mesmo muito. É que nós não nos limitamos a ser os piores da Europa. Não, não!
Aqui nós fazemos um ESFORÇO para sermos os piores. Como se alguém nos fosse dar uma medalha pela trampa que fazemos.

Senão vejamos.

Quando me dirijo ao Hospital, procuro pelo local onde possa recolher informações acerca de voluntariado. Dirijo-me ao balcão de informações que me dirige ao gabinete de recursos humanos. Aqui uma jovem menina dá-me um impresso para preencher com os meus dados pessoais e diz-me para dirigir ao gabinete de voluntariado.

Pois bem. Assim o fiz.
Quando lá chego, vejo que a porta está fechada. Como eram 13h, pensei que estivessem para almoçar e decido assim regressar às 15h. Para meu espanto, bato novamente com o nariz na porta.

Decido assim perguntar à jovem menina dos recursos humanos o que é que se passava, quando ela me diz que o Gabinete de Voluntariado encontra-se FECHADO durante o mês de Agosto. A cabra esqueceu-se de me dizer isto quando me deu o impresso para preencher.

Sim, FECHADO durante Agosto.

Quem está a receber os impressos é a senhora que tá no balcão a receber os cartões de visita. E ela própria disse-me que não sabia muito bem o que fazer com o impresso depois.

E eu fico a pensar...
No mês onde os estudantes e até trabalhadores TIRAM FÉRIAS e têm assim TEMPO e DISPONIBILIDADE para fazerem um voluntariado, é o mês em que o Gabinete de Voluntariado encontra-se fechado.

No mês em que os médicos, enfermeiros e staff auxiliar tiram férias é o mês onde precisam de "uma mãozinha extra". E não é que é exactamente esse mês em que o Hospital RECUSA-SE a receber voluntários?!

Quando vejo enfermeiros e médicos a fazerem greve a pedirem melhorias em horários e assim, pensem agora no ESFORÇO que fazemos para NÃO andarmos com o País para a frente. E a culpa é do Governo? Epah, a culpa é do anormal que decide fechar o gabinete. Certamente o Ministério da Saúde não emitiu uma ordem para fecharem o gabinete.

Eu a pensar (ingenuamente, claro) que fazer voluntariado era das coisas mais simples de se arranjar e é quando bato com o nariz na porta porque ao que parece, os responsáveis por receber voluntários para o Hospital (numa altura crítica de falta de staff) decidem fechar as portas.

Estas ideias não me ocorreriam nunca. É preciso elaboração neste ESFORÇO para fazermos trampa. É preciso ter gente fechada numa cave escura e húmida em roda de uma mesa a planearem o que fazer para tornarmos a merda ainda mais merdosa.

É preciso coragem para termos vergonha na cara e negarmos ajuda preciosa e vital numa altura em que se ajusta a toda a gente. Os estudantes tiram férias e têm tempo para o voluntariado, colmatando assim a falta de staff técnico e auxiliar que tiram férias com as respectivas famílias...

É simplesmente vergonhoso.


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domingo, 23 de agosto de 2009

Barcelona 2009


video

(com som)

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Feliz 250 posts

Este será o Post nr. 250, o que representa 1/4 de milhar de posts aqui no nosso estaminé. É qualquer coisa como:

meio(meio) milhar ou (1/2)(1/2)(1000) ou ainda ((1/2)^(-1))/8)(1000)

São 250.

Desde o dia 9 de Novembro de 2008 que já se passaram mais de 9 meses. Embora como eu não tive acesso em casa à Internet nos meses de Janeiro e Fevereiro, eu gosto de considerar que o blog só teve basicamente 6 meses de vida.

"Então mas oh Grande João, como é que podem ser 6 meses se tu apenas subtraíste 2 meses?"

A verdade é que nos meses de Dezembro e Julho, eu estive 2 semanas fora em cada um deles. Um foram as férias de Natal e no mês de Julho foi o regresso a Portugal e a ida a Barcelona. Por isso é que considero 6 meses de vida e muita palhaçada por aqui.

Em média foram escritos 1,4 posts por dia. O que dá muita letra por minuto a ser escrita só com o intuito final de colocar um sorriso na vossa cara. Eu devia de ser pago catano!

Para finalizar estes primeiros 250 pequenos capítulos do blog, gostaria de vos dizer aqueles que me deram mais prazer em escrever. A lista é comprida e embora goste de colocar vídeos, a verdade é que são um trabalhão para os editar, cortar, colocar a musiquinha, etc. E embora também goste de escrever curtos textos, a verdade é que a essência encontra-se nos textos longos. São esses que trazem um pouco de sumo mais filosófico aqui para este cantinho virtual.

Existem pelo menos 3 posts que gostei bastante de escrever/fazer ao qual os passo a citar de seguida:

Saturday Night Fever - Este vídeo foi o primeiro de uma série. Marca o início de "fazer" posts. em vez de os escrever. Naquele momento pensei porque raio iria escrever uma situação que só vista é que teria gozo e por isso resolvi filmar o que se passava naquele momento lá em casa. Deste modo abri as portas da minha casa a todos aqueles que se encontravam a milhares de km de distância. Naquele momento a minha casa era a vossa casa...

Professor Noble - Este creio que foi o primeiro post em que escrevi como oh catano. Dando início assim aqueles posts enormes cheios de implicações filosóficas. A verdade é que não me apercebo do texto aborrecido que se torna para os leitores porque normalmente estou demasiado excitado quando os escrevo. E este post dá para notar que realmente o encontro provocou um impacto positivo em mim. Foi a minha primeira experiência de um Professor a sério. Por acaso ele é de Oxford, mas não tem mal.

Cristo - A religião é aquela coisa. É aquele assunto que gosto de mergulhar, porque me parece sempre, com uma certa arrogância, que tenho razão. Dá-me gozo saber que possuo os argumentos mais válidos e lógicos da discussão. E embora eu não tenha que provar nada, dá-me prazer envolver-me numa discussão de teor religioso e este post para mim remata de uma vez por todas a soma total das minhas convicções e argumentos. Embora mais tarde escreva mais qualquer coisa para aprofundar alguns aspectos de alguns argumentos, como o Russell's Tea Pot e assim, o cerne da questão "Religião Cristã" é atacada e creio que é derrotada sem margens para dúvidas. (Arrogância à parte, é claro)

Embora tenha referido 3 dos melhores posts que já escrevi/fiz, a verdade é que tantos outros foram um prazer para os meus dedos. Não posso deixar de referir o post sobre o Sócrates, em que recebi mais comentários e mais discussões fora do blog, através de mails e messenger. Foi um prazer escrevê-lo e senti-me aliviado, porque de certa forma tornou-se moda portuguesa atacar os governantes que estão no poder e não conseguia ver o Sócrates do modo demoníaco como toda a gente o vê e sinceramente pensei que algo de errado se passava comigo. Depois é que vi que ele foi o primeiro a dar um murro na mesa, levantar-se e começar a fazer algum trabalho a sério. E foi esse trabalho a sério que incomodou muita gente que pensava que tinha a vida garantida de malandrice.

Após meses de escrita e de palhaçada, sinto-me que tenho uma família por aí invísivel. Dos mais de 5 mil visitantes que por cá passaram a clicar pelo blog, devo agradecer 4 mil à minha Mãe e os outros mil a mim mesmo.

Espero que continuem desse lado e se tiverem reclamações a fazer, lembrem-se:

"Este estabelecimento NÃO tem livro de reclamações."

Agora venham lá mais 250 posts...



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terça-feira, 18 de agosto de 2009

O "Copo"...

Como muitos devem saber, os meus pais são divorciados. Não sei bem há quanto tempo, porque devido aos maus tratos e abusos, desenvolvi inadvertidamente falhas de memória a longo e curto prazo.

Calma.
Estou só a brincar.

A verdade é que já lá vão quase 20 anos desde a separação. Já houve um tempo em que senti mais na pele quando era um menino inocente na primeira década de vida, mas com 25 anos em cima dos ombros, uma pessoa vai-se habituando com a situação.

A verdade, como costumo dizer às pessoas, é que nunca saberei qual é a sensação de regressar a casa após a escola e ter ambos os pais em casa ajudarem-me com o trabalho de casa e assim. Embora possa parecer dramático no meu caso, a verdade é que muitos filhos de pais casados vivem a mesma situação com pais ausentes, ou que têm pais que não ligam muito aos filhos. Seja como for, no meu caso, esta situação moldou o meu crescimento, o meu desenvolvimento e acima de tudo a minha personalidade.

Tudo seria completamente diferente se ambos vivessem sob o mesmo tecto, ou se em vez de viver com a minha mãe, eu tivesse vivido com o meu pai. Quando digo diferente, nunca poderei definir se seria agora uma pessoa melhor ou pior, apenas que seria diferente. Embora muitos estudos sociais indiquem uma potencial desfragmentação na vida social-profissional (escolar principalmente) do filho que vem de pais divorciados, a verdade é que conheço muita gente que vem de pais casados que apresenta alguns aspectos reprimidos e/ou diferentes negativamente em termos de personalidade e de convivência social com outros.

Foi engraçado ouvir da minha miúda (a actual) que pessoas vindas de pais divorciados não conseguem manter uma relação estável e duradoura durante um longo período, como quem diz que não têm muita fé nas relações devido ao que aconteceu com os seus próprios pais. Não sei se devo concordar ou discordar, porém devo dizer que o que ela disse me deixou a pensar.

Talvez use essa desculpa se um dia acabar com ela:

"Epáh, tu tinhas razão desde o início. É esta coisa de vir de pais divorciados. O problema não és tu e nem sequer sou eu. O problema são os meus pais. Catano para eles e mais o divórcio a impedirem-me de ser feliz. Pronto, porta-te bem então..."

Dizia ela também que as pessoas hoje em dia parecem desistir muito cedo e muito facilmente, ao que lhe respondi que eu acho que é exactamente o oposto que sempre aconteceu e ainda acontece quando as pessoas mantêm-se demasiado tempo juntas e aguentam mais tempo a dor e mau-estar familiar.

A verdade é que todos nós conhecemos alguém que tem um casamento monótono ou vive uma crise surda dentro de casa. E quando ouço alguém a dizer que as pessoas desistem facilmente de um casamento, parece-me que o contrário acontece com as pessoas a aguentarem o barco o máximo de tempo possível por diversos motivos: filhos (e família no geral), status-social, medo de isolamento e acima de tudo motivos financeiros.

Nunca irei afirmar que o divórcio é o caminho a percorrer numa crise. Era como dizer que a única maneira de atravessar um rio seria secá-lo, quando se podia optar por uma ponte ou um barco, isto é, existem sempre várias maneiras e vários caminhos para se resolver uma questão (seja ela em que área for) em que uns são mais longos e difíceis e outros são mais rápidos e fáceis. Normalmente os mais difíceis tendem a ser os melhores e mais correctos a tomar.

Com isto quero dizer que por vezes quando tudo não resulta mais e em que só resta uma via, então talvez a separação seja a melhor e aqui ainda afirmo que para a criança até pode ser melhor ter um pai ou mãe ausente quando a situação é pior quando ambos se encontram juntos e presentes na vida da criança.

Com pais divorciados, eu habituei-me ao facto de nunca ter presente na minha vida familiares do lado da minha mãe juntamente com familiares do lado do meu pai. Será melhor substituir o nunca pelo raramente no sentido em que se encaixam alguns eventos raros familiares como um ou outro aniversário quase arrumado aqui num canto poeirento da minha memória. S

É como se fosse água e azeite - imiscíveis. Não no sentido de melhor ou pior, mas no sentido que não era hábito ter ambos os lados do mundo-mãe e mundo-pai juntos no mesmo espaço físico. Por isso é que me surpreendia sempre um pouco quando via familiares de um lado e do outro de uma namorada minha que tive. Era um bocado surreal para mim, mas completamente normal para ela.

Ora bem, com esta pequena nota introdutória queria apenas iniciar o tema que me levou a escrever este post.

Há 3 anos atrás, quando eu me preparava para partir para Itália durante largos meses, eu decidi criar algo que se veio a tornar num ritual e tradição. Decidi criar um encontro oficial com todos os tios da família num pub. De início a ideia tinha como base as seguintes condições:

1 - Só vão os tios (masculinos) da família, incluindo os maternos e paternos;

2 - O encontro tem que ser na véspera ou no máximo 48 horas antes de partir (de avião) para um país qualquer que não seja Portugal;

3 - O local tem que ser o St. Patrick's Irish Pub em Esgueira, Aveiro - Portugal;

4 - Todos têm que beber pelo menos uma bebida alcoólica;

5 - A hora marcada de início é sempre às 23h.

É óbvio que desde o primeiro encontro que a regra nr. 1 seria alterada com a inclusão da minha mãe e irmão (e de uma vaga para o meu pai) e de quem quisesse vir a acompanhar os meus tios, respectivamente as tias, em que a minha querida tia Bé tem sido um dos pilares presentes e constantes de boa companhia.

O objectivo desta reunião é ter ali a minha família de ambos os lados e passar um bom bocado com eles a horas de partir para um país durante um longo tempo. É como se quisesse reunir o melhor sumo familiar para conservar na memória antes de partir de viagem. Creio que não há despedida melhor que esta. Não vou elogiar as pessoas que vão, porque elas sabem o valor que têm para mim.

Desde a minha partida para Itália em Outubro de 2006 até a uma simples viagem recreativa a Madrid, que desde que a regra nr. 2 se respeite, o resto vem automaticamente. A reunião tende a estender-se a longas horas da noite, altura em que o Emanuel, o dono do St. Patrick's Irish Pub junta-se a nós na diversão. São momentos que prezo com grande estima e que às vezes recordo com carinho enquanto me encontro andar de metro em Londres ou a caminhar numa rua de Amesterdão ou ainda a atravessar uma ponte em Veneza.

Como estas reuniõezinhas se tornaram tão populares e famosas, que desde então venho a promover estes encontros também nas alturas em que regressava de um país qualquer. Não são os oficiais (e por isso podem não respeitar as regras), mas são para conviver com a malta da família e marcar o regresso e contar as novidades.

Então este último sábado decidimos fazer um. O motivo podia estar mascarado pelo meu regresso de Barcelona, mas a verdade é que a sugestão partiu do meu pai. E pela primeira vez levei uma câmara fotográfica para o encontro. O resultado foi este: uma única foto de grupo tirada por volta da 1h no Botirão da Praça do Peixe em Aveiro.



Apenas 3 coisinhas em relação à foto:
1 - A minha tia Bé ficou tapada mas sem mal nem intenção.
2 - Tentem adivinhar quem é o meu pai e quem é o JB do blog http://johnmyself.blogspot.com/
3 - Sentiu-se a ausência da minha mãe.

Ficou assim na memória, mais um momento em me posso agarrar, enquanto aperto o casaco durante uma caminhada ao vento e frio em Cambridge.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Emeritus Professor Peter Reichard



Peter Reichard é um senhor e foi meu professor. Aos 84 anos é Professor Emeritus no Instituto Karolinska na Suécia (o mesmo Instituto que atribui os prémios Nobel), embora esteja com a sua mulher, Vera Bianchi, na Universidade de Padova em Itália.

Nascido na Áustria viria a ser um dos mais importantes cientistas na área dos precursores dos ácidos núcleicos, aquelas pequenas moléculas que constituem o Ácido Deoxirribonucleico e o Ácido Ribonucleico: ADN e RNA para os amigos.

Tive a "honra" de ser o seu escravo no laboratório em Itália durante um ano. Com ele, cada palavra era como uma lição para aprender naquele momento. Era uma pessoa alta que se esgueirava por trás de nós (tipo a planar devagarinho) e perguntava sempre se já tínhamos resultados para lhe mostrar, como se estivesse a pressentir que já não tinha muito tempo nesta terra para ver algum progresso científico.

Para uma senhor que foi membro da Faculdade Nobel na Suécia e "was heavily involved in the Nobel Committee" que atribui os Nobel, é natural que cada momento com ele valessem 5 aulas teóricas de Biologia Molecular numa Universidade qualquer.

Prémios e Honras como a eleição para a Academia Nacional de Ciências, constam já no seu vasto currículo, mas certamente merecia mais um prémio pela paciência que teve comigo durante um ano em Itália...

Se forem ao site oficial do nosso grupo laboratorial, ainda podem ver lá foto que tirámos há quase 3 anos atrás. Foi numa manhã e ainda podem ver a minha cara de sono. O gajo à minha direita era o Dr. Luigi Leanza, colega na farra e no trabalho e o grande Peter Reichard está à esquerda.



PS: As 3 meninas da fila de baixo a contar da direita (a começar na menina com a camisola laranja) podem não estar lá muito bem na foto, mas acreditem na palavra de um pilantra e tuga como eu quando vos digo que eram as minhas meninas (e que boas meninas!) que pedia sempre conforto nas horas difíceis, tipo quando tinha maus resultados com as pipetas e tubos de ensaio e assim...

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Centre Court - Wimbledon

No último fim-de-semana em Inglaterra fui até Wimbledon em Londres onde ocorreu a grande final entre Roddick e Federer. Para mim foi melhor que ir ao estádio do Wembley.

Sempre tive um pequeno prazer no ténis, embora seja uma trampa a jogar. Mas sempre gostei do jogo e acima de tudo gosto do ambiente que rodeia o ténis. Gosto do verde, do silêncio e emoção que se transpira no jogo. Talvez seja pelas mesmas razões que gosto tanto de golfe.

Seja como for, tive oportunidade de ir ao Centre Court onde se deu a maior e mais longa (4h 40 min) final de Wimbledon. Foi no ano passado entre dois gigantes - Federer e Nadal, onde o tinhoso do espanhol ganhou no fim, já de noite. No entanto este ano o mundo viu a justiça a ser feita ao ver o troféu em voltar (pela 6a vez) às mãos de Federer, novamente o número 1 do mundo.

Já fiz aqui referência a Roger Federer, esse campeão do ténis mundial.

Aqui podem visualizar o Centre Court e ainda podem ver as bancadas "reais" (de Realeza) ali do lado esquerdo da foto, onde o grande Pete Sampras chegou e viu o jogo. Já o jogo tinha começado quando Sampras decide aparecer assim já atrasadito (10 minutinhos após o início) causando um burburinho entre a audiência e finalmente um aplauso por parte do público que parou para homenagear aquele que é o Rei de Wimbledon (com 7 títulos).

No fim Sampras limitou-se a ver Federer conquistar 15 Grand Slams e assim a ultrapassar o seu record pessoal de 14 Grand Slams. Uma nova História tinha sido escrita ali naquele campo, apenas duas semanas antes de eu ter estado lá...




PS: Sou da opinião de plantar ali uma macieira no meio do Court.

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O nosso "Wembley"

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80 mil lugares, dizia eu...

Aahh ganda estádio!

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Minnie e os amigos...

Estou a meio gás a actualizar o blog porque sei que a maioria está de férias e nem sequer estão interessados e por outro lado agora não me sinto naqueles 100% para actualizar este nosso estaminé.

Por isso é que os posts vão ser assim curtinhos, sem grande piada, só para encher chouriço. Assim tipo uns posts com formato "aperitivo" ou como se diz em Inglaterra, os "nibbles" aqui do sítio...

Por isso cá vai uma das últimas fotos que tirei em Cambridge as 23h e tal com uma grande amiga minha de Hong Kong que por acaso é uma das chinesas mais fofas e "assim para o bom-bom" que vi em Cambridge. Chamava-se Minnie e por vezes servia como o consolo dos meus olhos naqueles dias cinzentos do laboratório...

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...like tears in the rain...

Lembram-se do meu post sobre anúncios com famosos? Pois então refresquem lá a memória.
Vá, eu espero.

Se há um anúncio que me lembro dos minutos que vi de televisão durante os 9 meses de Cambridge, é um com o imortal Sir Anthony Hopkins.
Cerca de 99% dos anúncios metem brutais gajas com umas mamonas e quase nuas a fazerem publicidade a tudo, desde bebidas até a automóveis.

Bom, neste anúncio, a SKY, (operadora tipo Tv Cabo e assim) limita-se a colocar um mestre do cinema, um gigante num simples cenário, com um pianinho de Max Richter por trás e um diálogo simples. Em questão, vê-se o Sir Hopkins a explicar que há diálogos no cinema que ficam eternos. O dito remete-se ao melhor filme de ficção científica - Blade Runner - em que na parte final o holandês Rutger Hauer remata com as melhores linhas do guião...

Simples e divino...


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Sim, eu estive lá...no Templo do Ténis...

Wimbledon.

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sábado, 8 de agosto de 2009

O grande Gervais com o "Deus" Fiennes

Sem palavras...


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