terça-feira, 18 de agosto de 2009

O "Copo"...

Como muitos devem saber, os meus pais são divorciados. Não sei bem há quanto tempo, porque devido aos maus tratos e abusos, desenvolvi inadvertidamente falhas de memória a longo e curto prazo.

Calma.
Estou só a brincar.

A verdade é que já lá vão quase 20 anos desde a separação. Já houve um tempo em que senti mais na pele quando era um menino inocente na primeira década de vida, mas com 25 anos em cima dos ombros, uma pessoa vai-se habituando com a situação.

A verdade, como costumo dizer às pessoas, é que nunca saberei qual é a sensação de regressar a casa após a escola e ter ambos os pais em casa ajudarem-me com o trabalho de casa e assim. Embora possa parecer dramático no meu caso, a verdade é que muitos filhos de pais casados vivem a mesma situação com pais ausentes, ou que têm pais que não ligam muito aos filhos. Seja como for, no meu caso, esta situação moldou o meu crescimento, o meu desenvolvimento e acima de tudo a minha personalidade.

Tudo seria completamente diferente se ambos vivessem sob o mesmo tecto, ou se em vez de viver com a minha mãe, eu tivesse vivido com o meu pai. Quando digo diferente, nunca poderei definir se seria agora uma pessoa melhor ou pior, apenas que seria diferente. Embora muitos estudos sociais indiquem uma potencial desfragmentação na vida social-profissional (escolar principalmente) do filho que vem de pais divorciados, a verdade é que conheço muita gente que vem de pais casados que apresenta alguns aspectos reprimidos e/ou diferentes negativamente em termos de personalidade e de convivência social com outros.

Foi engraçado ouvir da minha miúda (a actual) que pessoas vindas de pais divorciados não conseguem manter uma relação estável e duradoura durante um longo período, como quem diz que não têm muita fé nas relações devido ao que aconteceu com os seus próprios pais. Não sei se devo concordar ou discordar, porém devo dizer que o que ela disse me deixou a pensar.

Talvez use essa desculpa se um dia acabar com ela:

"Epáh, tu tinhas razão desde o início. É esta coisa de vir de pais divorciados. O problema não és tu e nem sequer sou eu. O problema são os meus pais. Catano para eles e mais o divórcio a impedirem-me de ser feliz. Pronto, porta-te bem então..."

Dizia ela também que as pessoas hoje em dia parecem desistir muito cedo e muito facilmente, ao que lhe respondi que eu acho que é exactamente o oposto que sempre aconteceu e ainda acontece quando as pessoas mantêm-se demasiado tempo juntas e aguentam mais tempo a dor e mau-estar familiar.

A verdade é que todos nós conhecemos alguém que tem um casamento monótono ou vive uma crise surda dentro de casa. E quando ouço alguém a dizer que as pessoas desistem facilmente de um casamento, parece-me que o contrário acontece com as pessoas a aguentarem o barco o máximo de tempo possível por diversos motivos: filhos (e família no geral), status-social, medo de isolamento e acima de tudo motivos financeiros.

Nunca irei afirmar que o divórcio é o caminho a percorrer numa crise. Era como dizer que a única maneira de atravessar um rio seria secá-lo, quando se podia optar por uma ponte ou um barco, isto é, existem sempre várias maneiras e vários caminhos para se resolver uma questão (seja ela em que área for) em que uns são mais longos e difíceis e outros são mais rápidos e fáceis. Normalmente os mais difíceis tendem a ser os melhores e mais correctos a tomar.

Com isto quero dizer que por vezes quando tudo não resulta mais e em que só resta uma via, então talvez a separação seja a melhor e aqui ainda afirmo que para a criança até pode ser melhor ter um pai ou mãe ausente quando a situação é pior quando ambos se encontram juntos e presentes na vida da criança.

Com pais divorciados, eu habituei-me ao facto de nunca ter presente na minha vida familiares do lado da minha mãe juntamente com familiares do lado do meu pai. Será melhor substituir o nunca pelo raramente no sentido em que se encaixam alguns eventos raros familiares como um ou outro aniversário quase arrumado aqui num canto poeirento da minha memória. S

É como se fosse água e azeite - imiscíveis. Não no sentido de melhor ou pior, mas no sentido que não era hábito ter ambos os lados do mundo-mãe e mundo-pai juntos no mesmo espaço físico. Por isso é que me surpreendia sempre um pouco quando via familiares de um lado e do outro de uma namorada minha que tive. Era um bocado surreal para mim, mas completamente normal para ela.

Ora bem, com esta pequena nota introdutória queria apenas iniciar o tema que me levou a escrever este post.

Há 3 anos atrás, quando eu me preparava para partir para Itália durante largos meses, eu decidi criar algo que se veio a tornar num ritual e tradição. Decidi criar um encontro oficial com todos os tios da família num pub. De início a ideia tinha como base as seguintes condições:

1 - Só vão os tios (masculinos) da família, incluindo os maternos e paternos;

2 - O encontro tem que ser na véspera ou no máximo 48 horas antes de partir (de avião) para um país qualquer que não seja Portugal;

3 - O local tem que ser o St. Patrick's Irish Pub em Esgueira, Aveiro - Portugal;

4 - Todos têm que beber pelo menos uma bebida alcoólica;

5 - A hora marcada de início é sempre às 23h.

É óbvio que desde o primeiro encontro que a regra nr. 1 seria alterada com a inclusão da minha mãe e irmão (e de uma vaga para o meu pai) e de quem quisesse vir a acompanhar os meus tios, respectivamente as tias, em que a minha querida tia Bé tem sido um dos pilares presentes e constantes de boa companhia.

O objectivo desta reunião é ter ali a minha família de ambos os lados e passar um bom bocado com eles a horas de partir para um país durante um longo tempo. É como se quisesse reunir o melhor sumo familiar para conservar na memória antes de partir de viagem. Creio que não há despedida melhor que esta. Não vou elogiar as pessoas que vão, porque elas sabem o valor que têm para mim.

Desde a minha partida para Itália em Outubro de 2006 até a uma simples viagem recreativa a Madrid, que desde que a regra nr. 2 se respeite, o resto vem automaticamente. A reunião tende a estender-se a longas horas da noite, altura em que o Emanuel, o dono do St. Patrick's Irish Pub junta-se a nós na diversão. São momentos que prezo com grande estima e que às vezes recordo com carinho enquanto me encontro andar de metro em Londres ou a caminhar numa rua de Amesterdão ou ainda a atravessar uma ponte em Veneza.

Como estas reuniõezinhas se tornaram tão populares e famosas, que desde então venho a promover estes encontros também nas alturas em que regressava de um país qualquer. Não são os oficiais (e por isso podem não respeitar as regras), mas são para conviver com a malta da família e marcar o regresso e contar as novidades.

Então este último sábado decidimos fazer um. O motivo podia estar mascarado pelo meu regresso de Barcelona, mas a verdade é que a sugestão partiu do meu pai. E pela primeira vez levei uma câmara fotográfica para o encontro. O resultado foi este: uma única foto de grupo tirada por volta da 1h no Botirão da Praça do Peixe em Aveiro.



Apenas 3 coisinhas em relação à foto:
1 - A minha tia Bé ficou tapada mas sem mal nem intenção.
2 - Tentem adivinhar quem é o meu pai e quem é o JB do blog http://johnmyself.blogspot.com/
3 - Sentiu-se a ausência da minha mãe.

Ficou assim na memória, mais um momento em me posso agarrar, enquanto aperto o casaco durante uma caminhada ao vento e frio em Cambridge.

5 Comentarios:

JB disse...

...eu acho que o JB é aquele ao fundo pendurado na parede...vermelho, com umas coisas escritas... já quanto à tua tia Bé, escusas de lamberes as botas, pois toda a gente sabe que fazes questão de a esconder em todas as tuas fotografias...MUAHAHAHAHA

JB disse...

...ah sem nada a propósito... o D-9, já tinha visto o teu post sobre o filme...mas como era tão pobrezinho não pude deixar de criar um texto mais elaborado...

Saudações Klingons para ti

António Bastos disse...

Olá João, eu no sabado não atendi a chamada porque tava em viagem de regresso a aveiro e não tinha o telemovel ao pé de mim, daí não ter atendido. Queria saber se já estás em Cambridge. Vai dando noticias rapaz fofo. Abraços do teu tio "preferido" Tony Manecas.

johnnie walker disse...

Não tem mal. A única coisa que perdeste foi o melhor copo do mundo e de sempre..ahahahahah..

Fico a espera do teu convite para ir comer um leitão a tua casa...

Abraço

Eu

Anónimo disse...

Como é bom ter assim uma família.
Apraz-me bastante esta união...e
amizade.
Continuem.............








Pikaxouriços