quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O voto que nunca o foi...



O meu tio JB escreveu um post agora intitulado "Questões de voto" onde afirma:

"eu não voto, ponto final."

E ainda acrescenta...

"Porque não acredito no sistema democrático que rege o nosso país"

"...estaria a mentir a mim próprio, e a compactuar com o próprio sistema se fosse sequer votar em branco."

"E infelizmente o sistema não consegue perceber, ou não quer perceber, mesmo quando chegam a existir taxas de abstenção de 60% ou superiores... dá que pensar."

"Se 60%, 50% ou mesmo 40% da população não vota, qualquer que seja a razão associada, é porque a realidade politica está carunchosa na sua base e irá acabar por cair mais cedo ou mais tarde."

Ora bem. Quem fala assim não é gago.
No entanto, é sabido que eu não respeito a opinião dos outros.
Já nasci assim - tinhoso.

Por isso é o meu dever cívico de blogueiro levantar aqui uma batalha de argumentos. No qual eu escolho aqueles que me derem mais jeito contra argumentar.

Gostaria de começar por dizer o que sempre afirmei aqui. Que o nosso sistema democrático é o menos mau de todos os outros existentes. Anarquismo não fica nada bem a quem gosta de passear à vontade na rua. Ditadura pode estragar alguns feriados e livros, e uma Monarquia tem aquela coisa de nos fazer curvar perante o Rei e fica chato para quem tem problemas nas costas.

Assim sendo, o voto é a arma de fogo que temos e que podemos usar para escolher as pessoas que serão capazes de nos representar. É óbvio que nada disto acontece no mundo real, mas nevertheless, é o que temos.

Acredito que aqui o mal não é o tipo de "jogo social" (Democracia) mas sim os "jogadores" que lá entram.

São os politicos que devem mudar. Por isso acho que se deve votar em branco em vez de se não votar. Porque a abstenção irá ser sempre interpretada como uma condição de preguiça inata ao nosso povo. Substitui "preguiça" por qualquer outra condição e terás uma possível explicação. Porque se realmente se fizessem um estudo e se vissem que 2/3 dos que não foram votar acreditam mesmo que o sistema de voto é errado, então eu iria exigir que se fizesse alguma coisa. Mas ponho as minhas mãos no fogo em como isso não é o caso.



Por isso digo que os politicos é que são todos uma cambada de pilantras. Mas o problema não é deles. É de quem vota neles. E esses somos todos nós. Não votar não os tira de lá, apenas desfaz possível competição. Não votar pode ser interpretado de muitas maneiras enquanto que votar em branco demonstra claramente um sinal de desagrado e demonstra que o eleitor fez o esforço para demonstrar isso ao ir votar.

Agora voltando ao sistema.
Que os mandatos dos Governos poderiam ser mais curtos, para termos mais hipóteses de ter algo a dizer (i.e. votar) ou que poderíamos fazer mais espécies de "referendos" como os gregos faziam. O problema aqui é a logística da coisa. Reduzirmos os mandatos não iria dar tempo a ninguém para demonstrar trabalho feito. Fazer referendos a torto e a direito seria custoso e iria haver sempre discórdia.

Por isso acho que a democracia que em Grego significa "Povo + Poder ou Governo", pode ser definida um pouco por Abraham Lincon que dizia: "Democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo".

É óbvio que isto é muito idealista. Mas afirmo que estou aberto a opções e estaria muito interessado em ouvi-las. Só que o problema é que até agora não encontrámos um sistema politico-social melhor.

Existem variações propostas por diversos filósofos/politólogos/sociólogos/malandros. No entanto são apenas isso - variações de um sistema democrático onde se varia a força do povo. Por exemplo, uns mais recentes dizem que os media têm um papel muito importante e que deve ser usado a favor do povo. Outros dizem ainda que o Governo tem demasiado poder, etc.

A verdade é que a arte de decidir através da discussão pública (entenda-se politica) é a melhor forma de resolver os assuntos. De comunicar com outros países. De cooperar. De desenvolver.

É claro que existem lobbies e que o nosso grupo politico está sem qualquer confiança. Para mim mete-me nojo ouvi-los a falar. Mas é que é a todos. São uma cambada de chulos que mereciam morrer na estaca.

A verdade é que estes são daqueles males que terás que conviver, mas nunca te conformar. Por isso luta sempre para achar uma solução. Estarei também deste lado a trabalhar para isso. Mas enquanto não chegamos a um sistema social que nos dê liberdade e igualdade sem medo de lobbies ou pressões, então teremos que conviver com o menos mau dos sistemas todos - a democracia.

2 Comentarios:

JB disse...

...ao que acabaste de fazer chama-se contra-informação e é utilizado frequentemente pelos órgãos de comunicação social: - utilizam apenas as citações que lhes convêm para levar as pessoas a acreditar no seu ponto de vista.

Acontece que o meu post é um bocadinho maior do que as citações que utilizaste, apesar de teres colocado nas entrelinhas um link para o meu blog que ninguém irá ver obviamente...tás a aprender, sim sr...

Em todo o caso, para que fique registado, é minha forte convicção achar que se o sistema democrático não muda, não é porque não existem opções mais viáveis e 'honestas'. Não muda porque quem o pode fazer não o quer fazer e utiliza as habituais evasivas económicas e de resultados negativos de experiências anteriores.

No entanto, é notória a quase impossibilidade administrativa e governativa em se mudar de sistema por uma vontade própria da sociedade. A História é cheia de alterações de sistemas governativos, mas não me lembro de nenhum que não tenha surgido de uma revolução, guerra, ou mesmo destruição de um País. A alteração rápida de sistemas complexos, determina quase implicitamente a destruição da base social desse sistema.

Contudo, se houvesse uma real vontade política e social, poderíamos alterar os sistemas governativos por vontade própria, com alterações ao longo do tempo mais incisivas como é, por exemplo, a situação da abstenção:

Se é óbvia a 'preguiça' em se ir votar, não compreendo, por exemplo, como ainda não se instituiu o voto electrónico, que servirá também, sei lá, para que as pessoas que, hoje em dia cada vez mais, se encontram em mobilidade profissional, não tenham que ir à escola primaria onde fizeram a 4ª classe...

Será uma impossibilidade técnica que leva a que isso não aconteça? Não, definitivamente não. Hoje em dia os impostos são entregues por internet e ninguém pôem em causa essa situação. Votar é algo bem mais simples. Temos cada um de nós números associados (BI, NIF, NISS, CE), que seriam mais do que suficientes para que houvesse a segurança necessária.

É muito fácil criar evasivas e não se trabalhar em prol de se acabar com a abstenção, não a de voto em branco, mas a outra dos que não vão sequer a mesa de voto. E se pensarmos um pouco, podemos verificar que a falta de trabalho nesse sentido, pode até ser do interesse da classe politica.

Se as pessoas se desmarcaram da ‘responsabilidade’ civil em votar, é porque existem razões que as assistem, mesmo que seja a da ‘preguiça’. Quem tem ‘preguiça’ em fazer algo, é porque, ou está doente, ou é porque perdeu o interesse nesse ‘algo’. Em ambos os casos é de se pensar seriamente no porquê dessa situação...

Em ultimo caso, ou em primeiro mesmo, e se de repente se mudasse a Lei para que se torna-se obrigatório o voto, por exemplo??... será que a abstenção em branco seria muito menor, ou teria alterações percentuais pequenas??

JB disse...

CORRECÇÃO ORTOGRÁFICA:

Em ultimo caso, ou em primeiro mesmo, e se de repente se mudasse a Lei para que se tornaSSe obrigatório o voto, por exemplo??... será que a abstenção em branco seria muito menor, ou teria alterações percentuais pequenas??

...é o que faz escrever uma coisa e depois mudar-se o sentido verbal...