domingo, 1 de novembro de 2009

A última dança...



No dia 28 de Outubro fui ver o "This is It".

O filme, como devem saber, é sobre os ensaios de Michael Jackson cerca de dias antes da sua morte.

Aparentemente o filme já rendeu mais de 101 milhões de dólares só num fim-de-semana. E já querem que seja nomeado para Oscar de Melhor Filme.

Para ser franco tenho que dizer desde já que o filme é um documentário e que não ficamos a saber nada de mais sobre Jackson. Vemos somente um cantor em ensaios para um concerto. Vemos os dançarinos e vemos os lambe-botas todos à volta de Michael a concordarem com cada palavra que ele diz. Se ele disser que está muito calor (embora esteja a nevar), então existe um staff completo a abrirem de imediato uma janela. Se ele disser que não quer mais, então apagam-se as luzes e vão todos para casa a cantar. Se ele quer uma sandes de courato, então 20 pessoas despacham-se arranjar uma. Embora não se veja Michael abusar nas mesquices, vê-se que ele tem ali toda a equipa a concordar com o que diz. E isso faz com que ele viva no seu mundo, na sua bolha onde tudo o que ele quer é possível.

E foi isso exactamente que o trouxe à ruína e miséria. Foi isso que o matou...
Ao ter constantemente, desde novo, pessoas à sua volta a realizarem os seus desejos, Michael Jackson viu-se num mundo aparentemente perfeito onde o que ele queria era de imediato concretizado. Daí advém o macaco de estimação (Bubles), um Zoológico em casa, um Parque Temático no seu quintal e dormir com criancinhas (sem actos mais malandros).

Mas é isto que acontece quando se é a pessoa mais famosa do planeta.



Era fundamental para Michael ter alguém ao seu lado que lhe dissesse um grande "NÃO" de vez em quando para lhe mostrar que existem fronteiras do "aceitável". Sem ter essa pessoa ao seu lado, Michael Jackson viu-se rodeado de pessoas que concordavam com as suas múltiplas plásticas que deram origem a sua cara disforme e alienígena. Sem essa pessoa para lhe meter a mão e impedir de tomar drogas, Jackson viu-se rodeado de pessoas que lhe facilitavam o acesso aos tranquilizantes que levaram à sua morte. No fundo, a culpa pela sua morte veio de si mesmo. Do limite extremo dos mimos que recebeu durante a vida toda...

Compreende-se ver nos ensaios a equipa toda a concordar com Michael. Ele é a galinha dos ovos de ouro. Ele é a razão pela qual aquela equipa técnica (som, montagem, coreografia, etc) e a promotora dos concertos, têm emprego. Sem ele todos eles estariam a fazer outra coisa...

Só para verem a dimensão. Michael Jackson já rendeu mais de 48 milhões de euros desde a sua morte. O homem tá morto, mas já rendeu mais do que eu vou ganhar durante a minha vida multiplicado por mil. É essa a grandeza. É por isso que foi mimado. Por isso é que teve lambe-botas à sua volta...


Ele é o Mito e sempre o foi. Mas no filme não se vê isso. No filme vê-se um Michael Jackson desconectado do mundo. Um Michael Jackson longe dos tempos áureos. Um bailarino perro e pregado ao chão. Pesado (embora extremamente magro) e nada flexível. A sua dança era extremamente estranha e embora se tratassem de ensaios (e nunca se dá 100% nos ensaios), aquele Michael Jackson é muito diferente do "meu" Michael Jackson. Eu vi um "velho" esquecido dançarino que por vezes tinha que recorrer ao Playback porque a voz não dava mais.

O Michael Jackson que eu queria ver era este:



Perfeito e magnífico. Sem margens para dúvidas que aquele ser humano nasceu com o dom da dança e criatividade artística.

No entanto viu-se o perfeccionismo que todos os artistas que trabalharam com ele, afirmavam sempre. Viu-se um Michael Jackson cuidadoso com a banda, cuidadoso com os bailarinos e constantemente à procura de perfeição no palco.


Teria sido um concerto memorável, mas pelo que vi no filme, tenho quase a certeza que me iria desapontar. Porque o Michael Jackson é isso mesmo. Perfeição e busca por algo inovador. Ele criou um ícone de entretenimento e nós, fans, temos a fasquia sempre no mais alto nível quando vemos uma performance dele. Por isso ele tem que dar o seu melhor SEMPRE. A sua dança tem que ser SEMPRE fantástica. E aos 50 anos, embora a mente queira, o corpo já não consegue responder. Mas a pressão, para dar o máximo em nome dos fans, está lá. A pressão para ser o Rei da Pop estava sempre na mente de Michael Jackson.

Eventualmente foi essa pressão que o matou...

Desde a morte de Michael Jackson que existiram dois momentos que me chocaram. Um foi quando mostraram o corpo de Jackson quando o estavam a transportar. Foi impressionante ver um ícone que arrastou milhões de pessoas, que conheceu outras tantas, que esteve com Presidentes, Reis e Príncipes, que tanto dinheiro gerou, ver reduzido esse ícone a um mero corpo humano ali como outro qualquer...



O outro momento foi quando no final do filme "This is It" a audiência que estava na sala de cinema dá uma ovação em pé à performance do Rei da Pop. Foram os últimos aplausos que Michael Jackson recebeu...



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