segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O desejo para 2010...e para os outros anos todos...

Todos nós fazemos listas de coisas que queremos fazer neste ano que iniciou.

A minha lista para 2010 é a seguinte:

1. Ser feliz.



Não preciso de saúde, dinheiro, poder, de coisas materiais, de viajar, de trabalhar.
Ser feliz é algo que as pessoas andam a esquecer. Muito por culpa do ambiente negativista que se vive hoje em dia.

(e agora vocês dizem: "pronto, lá vai ele armar-se em senhor da razão, todo filosófico.")

Pois bou!
O blog é meu, eu é que mando!

No Público vinha mais uma notícia miserável e deprimente que falava do fim do mundo para os jovens entre os 16 e 25 anos. Não têm rumo, emprego nem estabilidade financeira.

Costumo dizer que tenho 25 anos e já vivi em 5 países diferentes (Portugal, Itália, Holanda, Inglaterra e agora Espanha) e parece que foi a coisa mais fácil que aconteceu. Nunca me rendi ao "deixa andar e ver o que é que a rede traz" nem ao comodismo.

Lembro-me de quando estava a fazer a candidatura para Erasmus quando tinha 22 aninhos e tentei tudo por tudo (contra a opinião de todos) fazer Erasmus na Universidade de Cambridge. Sempre foi um daqueles sonhos que tinha. Então dei o litro a fazer contactos, escrever mails, telefonar aos serviços internacionais de Cambridge a inquirir sobre processos e candidaturas, etc. No entanto tinha muita gente a dizer que estava a iludir-me a mim próprio, que era uma perda de tempo, etc.

Não cheguei a ir para Cambridge.

Mas tentei...

Fui para Itália e foi o melhor ano da minha vida. A nível pessoal foi um crescimento imenso. Foi uma evolução de caracter e de personalidade. Não foram tudo rosas, mas lembro-me sempre de uma expressão de um colega que tinha feito Erasmus em Milão no ano anterior ao meu:

"As más experiências são também experiências de Erasmus. Faz tudo parte."


Itália

Então todas as complicações aliadas a todas as aventuras fizeram daquele ano em Itália o mais belo e profundo ano da minha vida. Não querendo ser elitista ou arrogante, atrevo-me a dizer que quem nunca fez Erasmus na vida não consegue compreender a minha linguagem.


Veneza

Lembro-me de uma expressão que dei em Filosofia no 10º e que me ficou tatuada no cérebro em que dizia que uma "vivência é uma experiência pessoal que só quem a vive é que pode a definir realmente". Erasmus é isso mesmo: uma vivência única. Não é estar de férias num país estrangeiro. É viver uma outra cultura. Fazer amigos. Trabalhar num sítio único. Lidar com situações extraordinárias. É algo de precioso.




Mas Cambridge ainda lá estava no canto do meu cérebro na gaveta dos sonhos. Embora admita que não ter conseguido ir para Cambridge naquele ano foi uma desilusão, admiti a mim mesmo que Itália foi o destino ideal e que ainda bem que as coisas correram assim. É o país para se viver e para se apaixonar pelas coisas...


Itália

Depois de tal ano bombástico, como é que eu iria superar tal vivência?
Fazer um Mestrado ou Estágio na Universidade de Aveiro (ou Portugal) como a maioria dos meus colegas? Ou ir para a aventura novamente? O que é que eu iria perder? Um ano académico? Bah, a vida é fugaz e temos que aproveitar enquanto não estamos casados, com filhos e contas para pagar, para nos mandarmos lá para fora e gritar com os pulmões cheios de energia.

Mandei-me para a Holanda, um sítio no norte da Europa, com uma cultura diferente da que tinha experienciado em Itália. A experiência ainda hoje me deixa às vezes em estado de choque com as coisas que aprendi, adquiri e vi por lá. Deixa-me em estado de choque mas no bom sentido. No sentido de naquele período que estive por lá, ter ido a outros países, ter estado com "amigos e amantes" e de ter feito aquela jornada junto de um amigo meu da universidade, incrédulos por vezes ao assistir a momentos únicos de surrealismo. Foi uma "outra realidade" que conheci e que me fez crescer ainda mais. Foi uma vivência diferente. Se Itália foram os primeiros passos da minha nova personalidade então a Holanda foram as primeiras quedas. No entanto, não se aprende a ter equilíbrio, sem se cair umas vezes antes...


Bélgica

Já sabia andar e a ter equilíbrio, agora faltava-me voar. E a Universidade de Cambridge foi esse vôo que em 24 anos nunca tinha previsto. Um vôo tímido, mas alto...


Londres

Antes mesmo de partir para Cambridge, tinha nas mãos a oportunidade de fazer um Mestrado na Universidade de Aveiro ou um Estágio. Ao contrário da grande maioria dos meus colegas (ao qual nada tenho a dizer de negativo em relação às suas decisões) decidi contrariar o meu facilitismo e comodidade de ficar em Aveiro e fiz malas com rumo a uma oportunidade única: Cambridge.

Passados dois anos da minha tentativa falhada de ir para a Universidade de Cambridge e após muito trabalho consegui ir para a mítica universidade. Custou mas consegui assinar o sonho que tinha metido na gaveta há dois anos...


Cambridge

Decidi ir à procura de um pouco de Itália e de Holanda juntos. E foi lá que encontrei poucos, mas grandes amigos e foi lá também que cresci mais um bocadinho. Adquiri as asas e sinto-me confortável ao dizer que o tal pessimismo e negativismo que o Público fala dos jovens dos 16 - 25 anos de idade é algo de relativo. Eu não consegui nada de extraordinário, nem acordo a pensar que sou bestial. Obedeço às mesmas Leis da Física como todos vós. Tenho medos e angústias, mas também tenho sonhos. E sei, e agora posso afirmar arrogantemente que sei mesmo, que a única maneira de alcançar esses sonhos e esperanças é fazer algo. É ser activo.


Cambridge

Digo-vos já que vão ter muitas desilusões, como eu as tive (e ainda vou ter no futuro). Mas para saborear o doce, temos que saborear o amargo. Por isso é que com tentativa-erro é que chegamos lá, sem nunca nos desiludirmos. Não é uma questão de ter fé, ou de acreditar em si mesmo. Nada disso. Isso são tretas que religiosos e filmes de domingo à tarde vendem às pessoas. O que é preciso é ter a astúcia de mostrar o que nos faz melhor que o outro. Não é desprezar ou dizer mal do colega, mas sim fazer realçar as nossas qualidades. Se queremos tal sonho, temos que provar que somos dignos desse sonho e temos que estar preparados para deixar tudo para trás. Porque se começamos a dizer que Aveiro é que é fixe porque temos a família lá e os amigos e o catano, então esqueçam e sejam felizes à vossa maneira. O que mais me custa por vezes é meter-me no avião e ter que me despedir de amigos e familiares. É ter o tal copo com a família. É saber agora que só nos vamos ver passados uns meses largos. É saber que o meu futuro NÃO vai passar por Portugal. É saber que não podemos ter tudo. É saber que para termos o privilégio de estar no Vaticano a ver o Papa, então não podemos estar na palhaçada com os amigos, ou no convívio com a família. É saber que em cada vez que tenho que falar inglês, italiano ou (um pouco) de espanhol, significa que não estou em Portugal, na minha terra, com a minha gente. Mas sei que o saldo no fim da factura é muito positivo. E que tudo vale a pena.


Aveiro

Sei também que para cada aventura que me meto, se não gostar, posso sempre voltar para Portugal e voltar à mesma estaca de onde parti. Perco tempo, mas sei que aquela experiência me mostrou que aquela aventura não é a mais indicada para mim. Thomas Edison, o inventor da lâmpada, disse uma vez que inventou 700 maneiras de como não-inventar uma lâmpada, antes de ter encontrado a solução correcta para a lâmpada. É fundamental descobrirmos o que não funciona connosco. Qualquer experiência que não seja do meu agrado, é uma experiência positiva, no sentido de me mostrar que aquela "porta que abri" não é a mais ideal para mim e que a posso "fechar" novamente. Mas se nunca a tivesse aberto, então nunca saberia se era a indicada ou não...

Canárias

Creio que também é importante saber que todos nós devemos fazer o que GOSTAMOS de fazer e nunca aquilo que QUEREMOS fazer. Por exemplo, toda a gente quer ser um daqueles tipos de CSI por causa do glamour e do perfume das séries. No entanto se metade soubesse que aquilo envolve trabalho de laboratório extremamente aborrecido, talvez pensassem duas vezes. Queremos ser, mas não gostamos de fazer. É importante definir o que realmente gostamos de fazer. Porque só aí vamos "correr por gosto". E nunca nos iremos cansar. Iremos ser os melhores. Temos motivação e dedicação.

Para terminar, queria dizer que não sou ninguém para valorizar as minhas ideias e opiniões acima de qualquer outra. O que escrevi são as minhas ideias e os meus sentimentos em relação a esta "geração perdida" de que o Público fala. Creio que falta garra. Faltam também condições para ter garra. Mas uma coisa vos garanto e é que tudo é possível. Não é a ver os Ídolos ao domingo, ou ver as novelas da TVI das 21h à 0h30 que vai resolver a vida de alguém. Passividade é o maior inimigo nesta guerra.

Volto a reafirmar que escrevi as minhas opiniões (humildemente) e nunca tive a intenção de ser arrogante ou de parecer que alcancei tudo na vida e que estou realizado. Muito longe disso. Ainda falta muito caminho para andar. Sou um bebé nestas coisas da vida. Ainda falta uma infinidade de batalhas para serem vencidas. Mas estou a ganhar terreno aos poucos. Eu estou agir como acho que devo agir e quis partilhar isso com vocês. Creio que a maioria dos meus amigos está onde quer estar. Alguns querem mais, outros até querem menos.

Creio que sempre me ajudou saber que a vida só se vive uma única vez. Por isso não vamos estar a perder tempo com coisas aborrecidas. Não pode ser sempre sol e praia, mas também não tem que ser sempre trabalho e cinzento. Um equilíbrio é suficiente...

...e no fim, todos nós à volta de uma mesa a comer e a rir...

Esse é o desejo para 2010.


(eu trago a mesa e o vinho...)


9 Comentarios:

Angel disse...

Tens alguma coisa contra quem vê os Ídolos aos domingos à noite??? Ficaste mt bem na foto - parece uma galã :) Kisses ou besos, cm preferires...

johnnie walker disse...

Idolos eh para rotos e mai nada!

GOstei do teu elogio, embora tu digas: "parece uma galã :)"

UMA?

hmm..tou a ver que te tenho que mostrar o que faz de mim um machão da selva

(resposta: as minhas unhas que nunca corto)

Angel disse...

Pus um 'a' a mais :) Sorry, my mistake...Kiss

Taciana disse...

Epá...acho que vou comentar...dizer umas coisas e tal....

Nuno, meu cunhado querido e adorado para todo o sempre..deixaste-me com a lágrima no canto do olho...como diz o meu patricio Bonga!

Acho que não há uma única palavra com a qual não concorde e não imaginas como sinto um grande orgulho, uma grande alegria ver que tens conseguido cumprir os teus sonhos e os teus objectivos.

Gosto muito, muito de ti meu querido... e isto de dizer o que se sente aprendi eu ao longo destes vastos longos anos de vida :P

Espero que acrescentes esta dica à tua filosofia de vida...nunca deixar para depois, o que se pode dizer e transmitir hoje!!

Muitos beijos para o meu menino prodigio!

Taci_A Cunhada

johnnie walker disse...

Olha a minha querida cunhada Taciana.

Bem vinda ao meu humilde estaminé. E agradeço desde já todas as palavras de apoio.

Ainda te lembras dos mails que me ajudaste a escrever para eu enviar para Cambridge?

Velhos tempos...

Mas há sempre um amanhã e todos esperamos que seja melhor que o de ontem...

Como é que andas?
Estive em Aveiro e nem sequer fui dar um saltinho na tua brilhante óptica (Optica Fonseca - Avenida Dr. Lourenço Peixinho, ao pé dos Correios)

Um beijão do tamanho do mundo e espero que vás dando notícias por aqui...

Anónimo disse...

Concordo com 90% do que dizes, mas nao te esquecas que muita gente nao vai pra fora porque nao tem possibilidades...

Tu dizes que "para cada aventura que me meto, se não gostar, posso sempre voltar para Portugal e voltar à mesma estaca de onde parti" mas o facto de se uma experiencia nao dar certo pra ti e poderes voltar a Portugal e' uma regalia que muitos nao possuem...

Tou a fazer-me de advogado do diabo aqui, ate porque tambem fiz o mesmo percurso que fizeste... erasmus, estagio e mestrado no estrangeiro... mas ha muito pessoal da UA e nao so que nao ficam pra tras por causa de comodismos, mas sim porque, em termos bem simplistas, nao ha dinheiro para pagar 400 euros ao mes para alugar um quarto na Noruega, Alemanha, Holanda, Inglaterra e etc.

johnnie walker disse...

Eu creio que voltar a Portugal, caso uma experiência não dê certo, não é uma regalia minha. Creio que todos nós temos um pai ou uma mãe, ou uns avós que nos podem acolher, caso uma experiência lá fora nos corra mal.

Não creio que haja ninguém neste momento (excepto sem-abrigo, drogados e/ou meninas de rua) que não tenha um tecto a onde pode regressar.

Além do mais, eu não tenho 400 euros para pagar quartos na Noruega ou na Alemanha ou assim. Eu tenho é vontade de ir TRABALHAR e candidatar-me a bolsas para ter o dinheiro para pagar quartos de 400 euros. Não sou mais nem menos que os outros e arranjei trabalho na Holanda como qualquer um e também ganhei bolsas com o mérito que qualquer um tem.

Falta é a vontade. Aquela coisa de ultrapassar a inércia de fazer alguma coisa. O tal comodismo...

Mas isto é a minha opinião e respeito a tua. Fico feliz de saber que alguém lê o meu blog...

Um abraço ou um beijo!

JB disse...

Meu querido sobrinho... só deixo este comentário para tua defesa.

É possivel que existam pessoas que não percebam muito bem a tua experiência de vida. Devem concerteza supôr que os teus pais ou avós têm riqueza suficiente para te mandar para o estrangeiro... é natural que assim pensem. Contudo, se conhecessem a tua vida passada, com a tua mãe e o teu irmão, perceberiam rápidamente como é fácil admirar alguém como tu, cuja força de vontade acaba por ser algo de natural na tua personalidade de "sobrevivente"...

Só quem têm realmente uma vida descansada e 'mimada' (como confesso que também tive)é que definitivamente assume a procura de novas oportunidades fora do país de origem,nos dias que correm, como algo pertencente apenas às classes previligiadas...

Posso-te dizer com orgulho, que me sinto orgulhoso (redundância à parte) em te ter como sobrinho...

... pode contar com a Polo se precisares... como vez é fácil para as pessoas pensarem que 'até tens um tio que te dá um carro'... mas eles sabem que carro é... !!!

... só mais uma coisa: quem é o João Branco?... deixou-me um comentário ao qual terei de responder como será obvio...

johnnie walker disse...

Muito obrigado, meu caro e amigo João.

Fico feliz por saber que alguém reconhece que realmente é possível fazer a diferença, se quisermos MESMO fazer algo de diferente, como viajar ou assim.

Não importa o dinheiro, não importa o nome. Importa a vontade!

As coisas nunca são fáceis, mas quando se tem o apoio e carinho dos mais próximos, então os objectivos e metas alcançar, parecem mais perto e mais fáceis de se alcançar.

Em relação ao teu grande CARRÃO, fico contente com a oferta de empréstimo. Prometo que só o irei conduzir no parque de estacionamento do campo do Beira-Mar. E vou fingir que existem brutais cruzamentos e tal...

Em relação ao João Branco, ele é um grande amigo meu. Foi meu colega de carteira no 11º e 12º. É um tipo bestial que tem (a ver pelo comentário extenso) uma bela visão do mundo. Creio que no fundo, todos nós sentimos, um pouco pelo menos, o mesmo que ele...

É de louvar a coragem que tu (tio João) e ele tiveram em elevar o casamento pela Igreja, a um patamar mais alto, mais adulto. No fundo o que importa é o que sentimos pela outra pessoa e é esse amor que queremos deixar presentes nas mentes dos nossos familiares e amigos.

Creio que lhe deves responder e eu provavelmente também irei fazer um comentário ao seu comentário...mas não hoje...

Um abraço.