sábado, 17 de abril de 2010

Homossexualidade .- será coisa do demónio?


Será a homossexualidade uma doença?

Estou um pouco hesitante em escrever este post, porque ao contrário do que acontece com outros posts, desta vez irei incidir sobre um lado mais científico e sério no que respeita a homossexualidade. É fácil gozar, mas para quem me conhece, sabe que não passam de piadas inocentes e nunca tive nada contra a homossexualidade. Nunca escrevi sobre o casamento gay porque não creio que seja um assunto importante. Só em Portugal é que uma coisa dessas tem que ser importante, para desviar atenção sobre outros assuntos mais importantes como Educação, Saúde e Emprego. Fazer do casamento gay uma questão politica é por si só um erro. A mim, heterossexual, não me afecta minimamente. Não prejudica as hipóteses de conseguir um emprego no futuro. Não altera o sistema de ensino, nem tão pouco melhora (ou piora) o sistema de saúde de Portugal. Em resumo, o casamento gay não afecta a minha liberdade. Porque irei eu querer afectar a deles?

Seja como for, o que me traz a escrever estas linhas, é um estudo polémico mas com base científicas. E sempre que lemos um estudo científico sabemos que podemos contar com provas sólidas (mas às vezes temporárias e com interpretações erróneas ou incompletas). O problema com a ciência é que estamos em constante mudança, ou melhor, em constante aprendizagem. Nunca adquirimos nada em termos de conhecimento e bradamos aos céus que é dogmático. Há sempre uma pinta de humildade. Há sempre uma percentagem mínima de erro. Temos que ter sempre a mente aberta e estar sempre preparado para admitir que erramos, que algo de novo pode aparecer para contradizer a nossa teoria inicial.

Eu, pessoalmente, considero que a homossexualidade não é uma doença.

Mas segundo Adriano Vaz Serra, presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, e João Marques Teixeira, presidente do Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos, defendem que nalgumas circunstâncias, e se houver essa vontade, é possível, através de terapia, mudar a orientação sexual de alguém. Após estas declarações polémicas, o Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos elaborou um parecer, no qual eu concordo, a dizer que "é generalizado o consenso entre os médicos psiquiatras de que não existe qualquer tratamento para a homossexualidade, pois esta designação não se refere a uma doença mas sim a uma variante do comportamento sexual."

Mas o que fazer quando se apresentam dados científicos (mas ainda não conclusivos) que apresentam  diferenças fisiológicas entre heterossexuais e homossexuais? O estudo já é um pouco velho, mas despertou-me a curiosidade quando o li ontem novamente. 

Vou começar pelo início então. Em 1991, um neuro-cientista chamado Simon LeVCay alegou que o hipotalamus, que está envolvido no comportamento sexual, tendia a ser mais pequeno em homens gay. Mas o passo seguinte seria pesquisar áreas do cérebro que não estivessem envolvidas no comportamento sexual e verificar se existe também aí alguma diferença. 

Foi o que Ivanka Savic fez. Usando imagem de ressonancia magnética (MRI - em inglês), compararam a simetria do cérebro de 25 hetero homens e 25 hetero mulheres com os de 20 homens gay e 20 mulheres gay. Os homens gay tendem a ter um cérebro mais parecido com o de hetero mulheres (o lado direito e esquerdo são aproximadamente do mesmo tamanho) e os de gay mulheres tendem a ser mais parecido com os do hetero homem (o lado direito é ligeiramente maior que o lado esquerdo). 

Nota: perdoem os diminutivos gay e hetero - serve para encurtar texto.

Após isto, os cientistas procederam a scans de tomografia por emissão de positrões (PET -em inglês) para examinar como é que amigdala (uma parte do cérebro envolvida no processamento de emoções) estava conectada a outras regiões do cérebro.  Descobriram novamente que os homens gay tem tendência a ser mais parecidos com as mulheres hetero, com uma ligação mais forte entre amigdala e regiões envolvidas em emoções. As mulheres gay têm tendência a ser mais parecidas com os homens hetero, com ligações mais fortes a partes envolvidas em funções motoras. 


Estas diferenças ainda necessitam de confirmação mais aprofundada e Savic realçou que ainda não se sabe como é que estas diferenças afectam o comportamento humano. 
Muitos argumentam que é cedo e o estudo é altamente especulativo. No entanto, afirmam que a descoberta de que existem diferenças fundamentais na estrutura do cérebro, suporta a ideia que a orientação sexual é inata

"Isto sugere que há qualquer coisa a ocorrer durante o desenvolvimento que influência a sexualidade e o cérebro." Isto é o que diz LeVay ao qual acrescenta que este estudo se encaixa com outros que mostraram que pessoas gays têm a tendência a ter proporções diferentes no comprimento dos seus dedos. Também o remoinho no cabelo, na parte de trás da cabeça das pessoas gay, tende mais a girar no sentido contrário ao ponteiro dos relógios do que nas pessoas hetero. Isto são tudo marcas biológicas de que algo se passa durante o desenvolvimento embrionário. Estes estudos também se encaixam com estudos que mostram que os homens gay têm tendência para escolher profissões que tipicamente atraem mulheres, como ensino e trabalho social, e que têm capacidades verbais e cognitivas que tendem a ser mais parecidas com as das mulheres. 


Muitos cientistas acreditam que mudanças podem ser resultado de uma dosagem de níveis de hormonas, como a testosterona, a que os fetos estarão expostos durante a gravidez.  

É importante realçar que estes dados são dados estatísticos. Verificar que há uma tendência para tal ponto, não quer dizer que seja assim linear. As palavras "tendência" e "probabilidade" em ciência são palavras malandras. Há que ter cuidado e não andar a verificar agora para que lado enrola o remoinho no cabelo ou se temos os dedos mais compridos que os outros. 

Além disso, este novo estudo envolvendo adultos não nos diz quando é que as estruturas e conexões se formaram. Apenas tira uma foto instantânea a um grupo particular de pessoas com uma certa idade. Não podemos generalizar ou retirar ilações acertadas sobre outros dados. Se também verificarmos o tamanho da amostragem (do estudo de Ivanka) vemos que 20 a 25 pessoas não são um grupo grande, fazendo-se sentir mais acentuadamente, qualquer variável que apareça.

Mas fica a curiosidade que não é meramente estímulos do meio ambiente que fazem mudar ou alterar a orientação sexual de uma pessoa. Cada vez mais se verifica que há um conteúdo "interno" que tem que ser tomado em consideração. Mas nunca, e repito, nunca se deve afirmar que se trata de uma doença. Este conceito indica que há ou poder um possível tratamento, uma possível cura. E a homossexualidade não tem tratamento porque não é uma doença, "é uma variante da comportamento sexual".

(Bar gay no centro de Londres)

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