quinta-feira, 20 de maio de 2010

As capas dos jornais portugueses...

Aplaudi de forma solene à capa de dois grandes jornais de Portugal: 24 Horas e o Diabo.
Comecemos então pelo Diabo, porque é menos conhecido.



Só pela capa dá para entender que existe uma clara neutralidade, isenção e independência no conteúdo da mensagem e imagem lá expostos. Um jornalista deve transmitir a sua mensagem de forma objectiva e isenta de pressões exteriores. Esta capa diz tudo menos isso. Até tem lá escrito debaixo do título: "Jornal Independente". Mas é tudo menos independente. Quem vê a cara do Sócrates e o headline "AGORA PAGUEM!", fica seguro que o que vai ler dentro do jornal é material objectivo e isento de conotações e interpretações negativas. O que me ainda incomoda mais é o uso do ponto de exclamação no fim do título. É sabido também que o ponto de exclamação deve ser usado parcimoniosamente (economicamente) em material jornalístico. Coisa que aqui só enfatiza a super-hiper-mega-über mensagem negativa.

A capa do 24 Horas não é tão óbvia, mas gosto da maneira labrega como metem o título e da imagem que escolhem. Isto para não falar que na escolha de notícia para primeira capa.



Neste momento existem 50 mil crises mundiais que davam uma bela capa. Até a notícia do doente operado ao braço errado num hospital em Lisboa é melhor notícia que a capa do 24 Horas. Além da brejeirice do facto do polícia ter levado nas bentas com um ferro de engomar (que se acredita ser da marca Tefal GV 8600) ainda temos a confissão da Pongo Love (lindo nome) a dizer que queria era acertar no focinho do namorado...que certamente estaria a pedir-lhe dinheiro para a droga e putedo...

Além disto tudo, se repararem nas calças da Pongo Love, conseguem ver o ferro de engomar lá escondido...

4 Comentarios:

Anónimo disse...

Boa: além de teres bons conselhos para dar aos professores, também tens qq coisa para ensinar aos jornalistas.
Sem ofensa, posso-te perguntar o que fazes na vida? Adorava saber! (perdão pelo ponto de exclamação)
Já agora, e com todo o respeito, se não quiseres ver o 24 horas e afins faz como eu... não vejas...

johnnie walker disse...

Uii..parece que feri a sensibilidade de alguém.

Vamos lá ver então uma coisa. Creio que a solução que o anónimo apresenta "não queres, não vejas" é a solução mais fácil e a mais idiota. Porque não podemos fazer como as avestruzes que enterram a cabeça na areia (q na realidade não enterram!). Há que enfrentar os problemas de frente. Se estamos em desacordo com algo, então temos que apresentar os argumentos que justificam a nossa posição.

Mas gostei do seu comentário. Continue!

Abraço!

PS: o que eu faço na vida não altera em nada os meus argumentos. Ou será o Anónimo daquelas pessoas que julga os outros pela profissão que exerce??!?!?humm..

Anónimo disse...

Jonny,

Não julgo os outros nem pelo que fazem ou sequer pelo dinheiro que ganham. Perguntei porque pareces ter opinião especializada em assuntos tão diversos como o que deveriam fazer os professores ou os jornalistas, mesmo que, pelos vistos, não exerças qualquer uma dessas actividades.

O que quiz dizer no comentário acima é: lá por eu nunca na vida ter comparado a "Maria", o "24 Horas" ou a "Ana Mais Atrevida", não quer dizer que não reconheça o direito aos outros para o fazer.

Já agora, o argumento que me pedes é simples: em nada o facto das pessoas comprarem esse género de "literatura" interfere na minha liberdade individual. Eles são livres o comprar, eu sou livre de não lêr.

johnnie walker disse...

Caro anónimo,

Todos somos professores, de uma maneira ou de outra... Mas confirmo que realmente não sou jornalista.
No entanto, lembro-me ainda de umas aulas de Português no 8º ano sobre alguns fundamentos da escrita jornalística - a chamada técnica de redacção. Lembro-me vagamente da pirâmide invertida e lembro-me que na escrita jornalística não se deveria dar uso de adjectivos e coisas assim que contribuem para a subjectividade. Um artigo tem que ser objectivo. Isto é o máximo que posso contribuir para o jornalismo...

Foram várias as ocasiões que tive uma "Maria" e um "24 Horas" nas mãos e sentei-me a ler alegremente. Neste post nunca falei na liberdade das pessoas. Falei no conteúdo das capas de dois jornais. Apenas isso. Se as pessoas querem levar a capa do Diabo a sério, então força. Não me venham é perturbar a minha liberdade. Se realmente quiserem saber se a Pongo Love tem o ferro de engomar ali escondido, então que comprem o jornal e descubram.

A verdade é que há uma notória diferença no conteúdo das capas dos jornais portugueses. Acontece em todo lado. E a redacção do "24 Horas" não é estúpida. Longe disso. Sabe perfeitamente qual é o seu público alvo e aproveita-se disso. Eu se fosse nomeado o director do "24 Horas" teria que fazer o mesmo, porque o tipo de jornalismo que eles imprimem, é o tipo de jornalismo que VENDE. E o "24 Horas" tem que por comida na mesa de muita gente e a técnica até agora tem sido um sucesso. Creio que o "24 Horas" é o jornal mais vendido de Portugal (presumo que em conjunto com o "Correio da Manhã"). Os lucros do "24 Horas" não se devem ao seu extraordinário tipo de jornalismo. Vem do uso de jornalismo de choque. Vem do sensacionalismo. E enquanto as pessoas exercerem do seu direito e liberdade e derem dinheiro por esse tipo de jornalismo, então estarei seguro que as coisas vão continuando assim na mesma.

No fundo dá-me prazer acordar com as capas dos jornais e esboçar um sorriso sempre que vejo a capa do "24 Horas"...