sexta-feira, 21 de maio de 2010

bella blu...

Foi há mais de 10 anos que perdi o meu avô paterno.
Uma figura imponente com valores tradicionais, mas com um espírito jovem. Aos 70 anos parecia que tinha 50. O truque, vim a descobrir mais tarde, passava por comer alho cru, não tocar no álcool com exagero e nadar horas no oceano. (e uns excelentes genes)

Uma pessoa com um carácter forte, com uma mentalidade ainda um pouco perdida e confusa na mudança dos tempos, na mudança de atitudes, na mudança de gerações.

Sempre com um forte carisma, a sua presença era notada mal entrava na sala. Tinha o respeito e admiração dos seus colegas, dos seus amigos e da sua família. Foi um militar de uma casta que já não existe. Sempre correcto, sempre honesto aos seus princípios morais. Uma pureza que já não se vê nos dias de hoje. No entanto, por detrás da sua figura austera, escondia um lado ternurento que revelava com pequenos gestos. Os seus netos eram tudo para ele, em especial o meu irmão (o seu primeiro neto). Eramos das poucas pessoas que lhe conseguiam arrancar um genuíno sorriso...

Uma das coisas que deixou neste mundo e que sempre irei associar a ele, é o seu carro. Conduzia um Fiat 128 que neste momento já é considerado um clássico com mais de 30 anos. Tenho tatuado no cérebro a última vez que me sentei naquele carro com ele, numa manhã de domingo. Os assentos de couro, o rádio com um esplendor de outras épocas, um tablier com umas pequenas fotos da minha avó e dos seus netos. O carro transmitia a sua personalidade. Sério, limpo e puro. Não havia terços pendurados no espelho, não havia lixo debaixo dos assentos, não havia ferro velho na bagagem. Para mim era uma máquina do tempo. Quando se entrava, parecia que era transportado para aquela época que vemos na série portuguesa "Conta-me como foi"...

Depressa o meu tio, com a sua paixão ímpar por automóveis, ofereceu-se para assumir a responsabilidade de assegurar que o Fiat 128 não fosse para a sucata. O velho clássico sofreu uma operação de estética e renovação. Somente as peças corroídas pela acidez do tempo foram substituídas e alguns melhoramentos foram instalados (mas nada de nitros, nem ailerons, nem tão pouco luzes neon debaixo do carro). O resto manteve-se fiel ao espírito clássico. Agora sempre que vejo o carro, salta-me de imediato à memória os poucos e breves momentos que me recordo ter com o meu avô.

Com este post quero prestar um pequeno agradecimento ao meu tio pelo trabalho, esforço e dinheiro para manter viva a chama da "bella blu". No vídeo que vão ver a seguir, podem ver que o nosso pequeno Fiat 128 ainda está para as curvas e cheio de pujança. Dentro seguem o meu tio ao volante e o meu primo como co-piloto (não que o percurso seja assim complicado, mas um leitão pode sempre saltar para a frente do carro...)

La bella blu...


5 Comentarios:

Anónimo disse...

Um clássico único e raro.
De parabéns pelo estado do veículo.

Bernardo disse...

bem bonita a máquina. um abraço das espanhas cujas praças são aparentemente de outra casta em relação as congéneres portuguesas.

johnnie walker disse...

Um outro abraço!

Anónimo disse...

Tenho o prazer de conhecer esse piloto pessoalmente e sei que gosta muito da BELLA BLU uma grande maquina sem duvida e bonita um orgulho para qualquer amante de classicos

johnnie walker disse...

caro anonimo: tenho que concordar que o piloto realmente mostra bastante respeito pela BELLA BLU. E eh sem duvida uma grande maquina!


Um abraço!