quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Multiverso de mãos dadas com o Acaso...



Estava a ler o post do JB, essa cara conhecida aqui no estaminé, quando vi que ele estava a falar de um tema porreiro e impecável para se ter à mesa de um belo jantar - Multiverso.

A literatura de ficção e Hollywood já exploraram exaustivamente este tema. Isto é, a possibilidade de existir diversos universos comuns ao nosso. Por mais incrível que pareça, isto pode ser de facto uma realidade. Matematicamente e em termos de Leis da Física, parece que existe a possibilidade de existirem uma infinidade de Universos. E uma infinidade, meus amigos, é muita coisa...

Então esta coisa do Multiverso (diversos Universos) para os mais leigos, como eu, é aquela coisa que a gente vê nos filmes em que saltamos de Universo em Universo e vemos que num somos ricos e no outro somos vagabundos. Esta é uma ideia completamente simplista e puramente usada para efeitos de hollywoodismo...

A verdade é que se existirem mesmo outros Universos e se um dia podermos viajar entre eles, provavelmente observaríamos que o planeta Terra não existiria em nenhum deles. E se existisse, muito provavelmente não existiria vida. E se existisse, muito provavelmente não seria igual à nossa.

É preciso lembrar que os acontecimentos de hoje (planeta Terra, vida, seres humanos no topo da cadeia alimentar) são acontecimentos que ocorreram devido à conjugação de inúmeros factores aleatórios. É óbvio que existem factores que contribuíram para que a linha da vida seguisse um certo e determinado trajecto, mas essa coisa de viajar entre universos e vermos diferenças mínimas é ridículo. Pequenos detalhes e diferenças no início da formação planetária e biológica contribuiriam para gigantescas diferenças mais tarde...

Outro factor importante é o factor do acaso. Um exemplo é o dos dinossauros. Se o asteróide não tivesse batido na Terra naquela altura, à milhões de anos atrás, os dinossauros continuariam no topo da cadeia alimentar e os mamíferos não teriam tido a chance de se "desenvolver". Ou se quiserem ver doutro modo, se realmente não tivesse embatido qualquer asteróide e os seres humanos tivessem tido a possibilidade de se desenvolver juntamente com os dinossauros, talvez um outro asteróide tivesse batido mais tarde e dizimado toda a vida existente na Terra. Ou talvez os humanos começassem a caçar demasiados dinossauros, afectando assim a cadeia alimentar e sofressem escassez de alimentos e desaparecessem. O percurso seria totalmente diferente e nenhum Universo seria igual ao outro, nem tão pouco seria igual excepto no pormenor em que num somos ricos e no outro somos vagabundos.

Mais simples ainda é verem do seguinte modo:
Imaginem que em todos os Universos possíveis, a génese planetária e biológica tivesse ocorrido exactamente da mesma maneira (o que é altamente improvável). Basicamente se eu saltasse de um universo para o outro, então verificaríamos que a vida existe em ambos e existem seres humanos a viver como hoje. O problema é que para obedecer às leis dos filmes que vemos, então o espermatozóide que vos originou, teria que ser exactamente o mesmo (dentro de milhões possíveis) a entrar exactamente no mesmo óvulo. É ridículo pensar a esta escala...

Fred Hoyle (um respeitado Físico e Astrónomo) disse uma vez que a ocorrência de vida na Terra é um acontecimento tão improvável como um furacão passar por uma sucata de parafusos e metais e conseguir montar um Boeing 747 em perfeitas condições.

Ele não era adepto do "acaso". Não acreditava que as coisas aconteciam por mero acaso. Tudo tinha uma justificação e maneira de ocorrer. Tudo seguia uma linha de trajecto bem definida. Mas a verdade é que o Acaso existe e determina muitos dos acontecimentos que deram origem ao aparecimento da Vida na Terra. É pelo Acaso que hoje estamos aqui.


Deus joga mesmo aos dados...


4 Comentarios:

JB disse...

...bom, foste afectado pelo 'Senso Comum'.

Numa primeira fase, a tua dedução é válida... só que estás a analisar uma evolução de um ponto de vista de observador 'entrelaçado' na sua própria realidade. Ou seja...

Para ti os Universos Múltiplos estão, neste preciso momento, definidos pela sua origem - a nossa origem - partes do principio que mesmo que existam universos paralelos, neste momento, já todos estão completamente diferentes do que estamos actualmente, devido às alterações casuais iniciais. Partes do principio que a origem de todos os universos é comum.

Numa perspectiva quântica, esses universos são realmente possíveis, mas não só esses...

Existem ainda todos aqueles universos que são iguais até ao corrente momento, mas que diferem exactamente a partir deste ponto... basta para isso tomares uma pequena decisão diferente... e isto é válido para todos os momentos anteriores e seguintes e assim sucessivamente.

É demasiado marado, mas de um ponto de vista das probabilidades quânticas, possível, devido à Função de Onda associada a tudo em cada determinado momento.

No entanto, existe uma corrente de pensamento - Escola de Copenhaga - que enuncia por Niels Bohr um Principio da Complementaridade, que faz colapsar essa função de onda assim que colocas um observador...

Ou seja, como nós observamos o nosso universo logo fazemos colapsar os restantes... esta era e é a teoria com mais adeptos,aceite inclusive pelo próprio Einstein.

Só que essa teoria, segundo outra 'facção' de físicos, apenas existe para confortar os egos Newtonianos que não se conseguem desprender do mundo que é percepcionado pelo sentidos do Ser Humano.

Por outro lado, Schrödinger com a sua experiência mental do Gato Morto ou Vivo, lança mais água para a fervura demonstrando com isso que, se o observador for exterior a um determinado acontecimento, irá sempre deparar-se com todas as probabilidades finais desse acontecimento... para quem está fora da caixa o gato está simultaneamente morto e vivo. Mas se tivesses dentro da caixa o gato estaria morto ou vivo e não os dois estados simultaneamente - a experiência refere 'quando se abre a caixa', o que acaba por ser o mesmo, já que assim que o observador se 'entrelaça' com o acontecimento a Função de Onda colapsa.

Ou seja, os universos múltiplos existem, mas para cada observador 'entrelaçado' com o seu próprio universo, só existe o universo onde está inserido, não sendo possível para esse observador verificar a existência dos restantes universos.

Ok, podes dizer que é tudo uma boa treta e que agora essa cena de universos paralelos é mais uma cena sobrenatural que não se pode verificar experimentalmente...

Mas a realidade é que matematicamente eles são possíveis, e mais... começam a surgir várias teorias que poderão os comprovar...como por exemplo, a matéria negra que não se vê no nosso universo mas que têm efeitos gravíticos no nosso próprio universo... e não esqueças que a gravidade é uma distorção do espaço-tempo conforme nos refere a Relatividade Geral...


Confuso??? pois, também eu fiquei e acho que não vou sair desse estado enquanto andar a estudar esta coisa da mecânica quântica...



Vai lendo os meus posts...

Fica bem

johnnie walker disse...

Houve então aqui um erro de interpretação de ambos os lados.

A experiência de Schrödinger realmente fala dessa coisa do universo dividir-se sempre que existe uma decisão, sempre que existe a possibilidade de seguirmos mais do que um caminho. E que todos esses universos colapsam quando entra em jogo a observação da ocorrência (abrir a caixa do gato).

Mas a verdade é que eu falava no conceito de termos multiplos universos e sermos capazes, como observadores, não colapsarmos nenhum desses universos e sermos ainda capazes de observar mais do que um universo.

Porque as teorias matemáticas dizem que todas as incorencias quanticas têm que ser respeitadas e por isso o universo divide-se sempre que se encontrar perante uma decisão quantica a tomar. Embora para o observador so exista um universo (aquele em que ele vive), se realmente for possível "viajar" para outro universo então veriamos as outras possíveis decisões quanticas que teriam ocorrido. No entanto, para isso é necessario que exista um processo que evite que o universo alternativo colapse sempre que abrimos a caixa do gato. Para isso eh preciso manter o universo alternativo a existir em harmonia quantica para que sejamos capazes de, após abrir a caixa, verificar que realmente o gato vive num e no outro o gato morre.

Mas repara que estamos a falar de uma decisão de 50%-50%. Uma o gato vive e no outro morre. Agora imagina no momento da tua concepção em que milhões de espermatozoides viajavam freneticamente em direcção ao ovulo. Imagina os milhões de universos alternativos. Em cada um, um individuo diferente e em somente num é que tu existirias...

Talvez escreva outro post sobre essa cena do Efeito Fantasma à Distância que é outra coisa dos diabos...
http://en.wikipedia.org/wiki/Action_at_a_distance_%28physics%29

JB disse...

...Quanto ao Gato de Schrödinger...

Não é a experiência que refere a criação de um novo universo sempre que existe uma decisão... quem primeiro enunciou tal teoria foi Hugh Everett.

...a ideia da experiência é demonstrar que se calhar não é tão linear o colapso da Função de Onda. A ideia é transmitida como existindo duas possibilidades únicas para uma melhor percepção, mas na verdade seriam infinitas realidades que poderiam ser retratadas através das derivadas da Função de Onda do gato, desde o local preciso onde estaria o gato vivo, se lhe tinha caído o pêlo, ou se quando caísse morto caía para a direita ou para a esquerda, etc, etc, etc...

E sim, a Interpretação dos Muitos Mundos (Many-Worlds Interpretation) de Hugh Everett propõe exactamente isso: a possibilidade da existência de universos infinitos, no caso de não haver realmente um colapso da Função de Onda.

Aliás, existem alguns físicos que vêem no próprio Principio de Complementaridade o 'Calcanhar de Aquiles' da Escola de Copenhaga.

Para estes a Função de Onda de um Universo nunca colapsa. Na realidade ela só colapsa para quem faz parte desse próprio Universo.

Se Deus existe, este deve-se estar a rir com a nossa incompreensão da coisa... para ele, estando de 'fora', todos os universos existem.

Bem, mas isto é conversa para 'anos'...e num tenho tempo agora...

Deixo-te apenas a ideia de Michio Kaku que se calhar existem formas de poderem observar outros universos através de distorções espaço-temporais...

E pensa lá... e se aquelas coisas de fantasmas, espíritos e ovnis, até fossem mesmo coisas que foram observadas??... essas 'visões' não poderiam ser provocadas pelas membranas das 'bolhas universais'a tocarem-se entre elas???...

Agora a imaginação - que curiosamente impulsiona a ciência - fica ao nosso encargo.

johnnie walker disse...

A verdade eh que isto poderia durar anos...

É esta coisa que a Física tem de brilhante: ter milhares de portas por abrir e mundos por explorar...

Talvez num outro universo eu seja um Físico Teórico e tenha barba e tal...