segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Drogas...



Li agora uma notícia na BBC News que queria partilhar com vocês.

O antigo "UK chief drugs adviser", Professor David Nutt, lançou um artigo no jornal médico Lancet que demonstra que o álcool é mais prejudicial que a heroína. Antes de saltarem da cadeira, deixem-me colocar o estudo sobre as lentes correctas.

O estudo incide sobre 20 drogas estudadas segundo 16 critérios e para melhorar o resultado, este estudo utilizou a análise de decisões com múltiplos critérios (MCDA).

Estes 16 critérios dividem-se em duas importantes partes:

1. Efeitos prejudiciais para o utilizador (foram utilizados 9 critérios)
2. Efeitos prejudiciais para a sociedade (foram utilizados os restantes 7 critérios)

Dentro dos efeitos prejudiciais para o utilizador, exemplos de alguns dos 9 critérios usados são por exemplo os efeitos negativos para a saúde física e mental do utilizador. E exemplos de efeitos prejudiciais para a sociedade são por exemplo crime, "problemas familiares", danos ambientais e custos económicos.

Então temos 20 drogas que foram analisadas em relação aos problemas que causam ao utilizador e à sociedade.

Analisando o efeito prejudicial em cada um daqueles critérios separadamente então o modelo de estudo demonstrou que a heroína, crack e metilanfetamina (também conhecido por crystal meth) são as drogas mais prejudiciais ao indivíduo, mas álcool, heroína e crack são das mais prejudiciais para a sociedade.

No entanto se combinarmos os efeitos prejudiciais tanto a nível individual como social, então o álcool aparece como a droga que mais efeitos prejudiciais causa a ambos os níveis, seguida da heroína e crack.



Eu penso que a grande razão para o álcool estar acima de todas as outras drogas como a mais prejudicial é devido ao facto de ser vendida em qualquer lado no mundo inteiro. A sua fácil obtenção faz com que as pessoas possam abusar. Além disso, apenas o facto de ser uma droga legal e por isso vendida a qualquer pessoa, faz com que se pense que não é tão prejudicial como as outras drogas, mas se verificarem o gráfico, verão que o álcool aparece em 4º lugar como a droga mais prejudicial ao utilizador.

Curioso é o facto do tabaco ser pior, tanto a nível do indivíduo como social, que a cannabis.

Este estudo serve para alertar as pessoas que qualquer droga é prejudicial ao corpo humano como aqueles que nos rodeiam. Qualquer droga usada fora da área de tratamento médico nunca deve ser usada e qualquer droga causa um efeito diferente para cada utilizador. A mesma quantidade de álcool em duas pessoas diferentes irá causar um efeito diferente. Às vezes, a mesma quantidade de álcool no nosso corpo em duas alturas diferentes, causa um efeito diferente. Parece que às vezes podemos beber 8 cervejas e não sentir grande coisa e outras vezes bebemos 3 e ficamos imediatamente embriagados. Também os efeitos sociais negativos da utilização de drogas é bastante diferente de situação em situação. O gráfico acima ilustrado serve para classificarmos (na medida do possível) os diferentes graus de perigo à luz do utilizador vs sociedade. Por muito que vos queira dizer que experimentar "cogumelos mágicos" seria a droga que menos vos afectaria em termos de toxicidade, não posso garantir que vocês não terão uma reacção nefasta e bater mal da cabeça.

Numa entrevista à rádio, o Dr. Laurence Chuter, diz que cerca de 75% - 80% dos pacientes que entram nas urgências, em Inglaterra, durante o fim-de-semana estão relacionadas com o uso de álcool. Não podemos negar que o álcool é a pior droga que existe porque é legalizada e porque os efeitos no corpo humano (físico e mental) são severos e podem conduzir a situações extremas de violência. É raro ouvir falar de um gajo que fumou cannabis e tornou-se violento. O pior que pode acontecer a um alcoólico é pegar no carro embriagado e espetar-se para cima dos outros carros. Tenho muitos amigos aqui em Cambridge que depois de horas na biblioteca a estudar, pegam num charro e fumam na boa para descontrair a mente e relaxarem um pouco a pressão. Por outro lado, vejo todos os fim de semanas os efeitos do álcool nas ruas de Cambridge. Como já aqui escrevi, os ingleses viram animais quando consomem desenfreadamente litros de álcool.



Para efeitos de curiosidade, deixo aqui uma pequena lista dos efeitos do álcool e os mecanismos que trabalham no cérebro:

1. Alguns copos no início produz um efeito relaxante. É o mesmo que tomar um traquilizante como Diazepam. O exemplo que o Professor Nutt dá é o que acontece nos aviões em que após o avião levantar vôo é servido álcool para relaxar os cerca de 30% de pessoas que têm medo de voar de avião.

2. Seguido ao efeito relaxante vem o efeito de euforia em que dois neurotransmissores estão envolvidos: Dopamina (que é o neurotransmissor que a cocaína tenta imitar molecularmente e torna as pessoas confiantes) e Seratonina (uma droga que aumenta os níveis de seratonina é o famoso anti depressivo Prozac)

3. Se o consumo continua, então o cérebro inicia mecanismos semelhantes ao uso de heroína e faz-nos pensar que tudo é possível e que somos capazes de fazer tudo (e é aqui que vemos aqueles vídeos de idiotas que pensam que conseguem fazer tudo mas depois corre tudo mal e batem sempre com os cornos no chão)

4. A última fase é a da anestesia o que nos faz adormecer completamente, mesmo se existirem ruídos altos ao nosso redor (como numa festa ou assim) e acordar no dia seguinte e não nos lembrarmos o que é que aconteceu. Esta fase pode levar à morte (e.g. condução).


A diferença entre o medicamento e o veneno é a dose.

2 Comentarios:

Xiquinho o patarata disse...

É tão bom o binho carago......sem ele nada é possível.....
O binho é que instroi e anima a malta
Biba o binho e biba eu

johnnie walker disse...

Biba o binho carago!!!